Andaluzia

Como o prometido, de volta aos escritos, após uma semana de retorno da viagem. Andaluzia era um sonho antigo, quer dizer, nem tão antigo assim. De uns quatros anos pra cá, desde que cruzei o oceano pela primeira vez e materializei a Espanha. 

Antes de começar a falar da Andaluzia, acho bacana explicar  rapidamente a divisão política da Espanha. Facilita a compreensão do que está onde, pois assim como o Brasil, a Espanha tem características muito próprias de uma região para outra. 

No Brasil temos 5 regiões: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A Espanha tem 17 comunidades autônomas:





Grosso modo, a Constituição espanhola estabelece normas a nível nacional, mas as comunidades também tem uma certa independência para tomar decisões a nível local. 

No Brasil temos 26 estados e um Distrito Federal. A Espanha tem  52 províncias. So...

Eu viajei para a comunidade autônoma de Andaluzia e conheci as províncias de Sevilha, Córdoba e Granada.





Explicado isso, segue o texto...

Durante o intercâmbio em Portugal, eu tive colega de Almeria (província andaluza) que sempre me dizia que a Andaluzia era o melhor da Espanha, em função do estilo de vida. De fato, essa é a maior propaganda da região, aliás, se trata de fama mais que consolidada. Há, por exemplo, uma tradição na região de servir as cervejas sempre acompanhadas por tapas.

Tapas

As tapas são aperitivos, geralmente compostos por um pedaço de pão com alguma coisa (peixe, chouriço, jamón) encima. Existe uma infinidade de combinações.  São um elemento muito característico da cultura espanhola, tanto que existe o verbo tapear. Mais que um verbo, um hábito. 
Existem várias histórias para a origem do nome tapas. Uma delas diz que a palavra vem do verbo "tapar". Antigamente, nos bares, costumava-se servir os copos de bebidas cobertos por um pedaço de pão, para que não caísse poeira ou entrasse mosca.



A região é mais quente e a sua história é marcada por um período de convivência pacífica entre judeus, muçulmanos e cristãos. O que talvez explique a cordialidade do povo. As marcas estão presentes por todos os lados: na música, na comida, nos chás e sobretudo nos monumentos que resistem ao tempo, com sua arquitetura de estilo mudéjar.


Estilo Mudéjar 


O estilo surgiu na Península Ibérica, e posteriormente foi levado para as colônias espanholas . A arte mistura elementos cristãos com  muçulmanos.  Para alguns historiadores ela é resultado da tolerância dos reis cristãos, que após a dominação do território, permitiram que os árabes continuassem produzindo sua arte. Mas os historiadores não são unânimes sobre essa hipótese. O estilo apresenta características diferentes de acordo com o local onde se desenvolveu. Destacam-se os estilos mudéjar toledano,  leonês, aragonês e  andaluz.



Carmen Dionísio

Mesquita- Catedral de Córdoba.




Carmen Dionísio

 Uma das construções mais expressivas da região,  exemplo de arte mudéjar. 



Sevilhanas (música)



A música é um capítulo a parte, mas não tenho conhecimento suficiente para me aprofundar. Só para despertar a curiosidade e dar a dimensão da variedade musical, vou contar uma situação que despertou meu interesse. 

Em Córdoba almocei num restaurante onde um senhor cego tocava sua guitarra espanhola enquanto a esposa recolhia moedas dos ouvintes. Perguntei ao meu namorado que estilo musical era aquele e ele me respondeu que se tratava de sevilhanas de Triana. Triana é uma bairro de Sevilha. Sevilhanas é um estilo de música popular de Sevilha. Apesar de ser parecido, não é flamenco. Se dança em pares. As sevilhanas diferem entre si por contarem a história ou trazerem características de um bairro, pelo menos foi o que disse o meu namorado. É um estilo arrebatador. Por hora é o que sei da música andaluza. 




O esteriótipo andaluz é exportado para o mundo inteiro como o próprio esteriótipo espanhol. Alguns dos símbolos mais conhecidos da Espanha provém daí: o toureiro, as sevilhanas, o flamenco, as castanholas, a devoção católica e a personalidade apaixonada do povo espanhol. 
Essa caricatura foi representada recentemente no filme Ocho Apellidos Vascos, que tem enchido as salas de cinema espanholas, há algumas semanas, arrancando gargalhadas do público e aliviando um pouco da tensão de um país em crise. Mas deixo para explanar o filme num próximo post porque a explicação é vasta.

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