Niver da Gabi: Festa das Nacionalidades



Já que não se pode parar o tempo, só nos resta comemorar a passagem dos anos. Por isso festejamos bodas, aniversários, ano novo...
E para alguém que nasceu no mês do carnaval, fazer festa é quase redundante. Bem, pelo menos pra mim que amo folia.
Nesse ano, que começou com outro intercâmbio muito bacana, onde pude não só rever amigos, mas fazer outros resolvi dar continuidade a essa vibe de troca de experiências.
Aproveitei a ocasião do meu niver para realizar uma vontade que já carregava há algum tempo, reunir amigos e conhecidos para falar sobre nossas experiências de intercâmbio.
A ideia era ter uma noite onde todos pudéssemos não só trocar experiências, mas também matar um pouco da saudade do lugar onde moramos. Um momento para falar abertamente dessa vivência, conhecer pessoas ou simplesmente reencontrar os amigos com quem partilhamos a experiência.
Propus aos meus convidados que cada um trouxesse uma comida ou bebida típica do país onde morou. A galera comprou a ideia e o cardápio foi composto por delícias como: tapas, tortilla, jamón, sangria (Espanha), salgadinhos, brigadeiro, beijinhos e caipirinha (Brasil), alfajor (Argentina), rissóis, bolinho de bacalhau, bolo de bolacha, patê de atum, vinho (Portugal), patê de alho (Líbano), creme belga (Bélgica) e Dirty Shirley (Estados Unidos).
Ao todo foram 7 nacionalidades participantes: Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, Líbano, Bélgica, Estados Unidos e Luxemburgo. Além dos conhecidos que fizeram intercambio, compareceram meus amigos, representando o Brasil, claro, mais dois argentinos e uma espanhola que estão estudando no Brasil.
Eu e alguns amigos decoramos a minha humilde residência (humilde mesmo, porque eu moro numa kit) com bandeiras e balões nas cores das nacionalidades participantes. Ficou bem legal.Eu fiquei mega feliz com a colaboração do pessoal, que além de ter se empenhado em trazer coisas gostosas, ajudou a arrumar tudo e emprestou algumas coisas.
Foi um mutirão mesmo. Era mesa da casa de um, cadeira da casa do outro. Um improvisa a iluminação. Outro lava o chão, outro faz  as bandeirinhas pra um colar e pendurar. Todo mundo enche balão.
Sem falar na missão de achar uma vela para o bolo às 21h40, antes que os supermercados fechassem. Vocês acreditam que até hoje eu não sei onde foi parar a vela que eu tinha comprado? Mas quem tem amigos tem tudo...
Depois de ligar pra um e outro, alguém salvou a noite e chegou com velinha que por acaso havia sido disputada com uma outra velhinha (do tipo, pessoa idosa mesmo) hahaha.
Além de toda essa colaboração, eu tive os convidados mais phinos que alguém poderia desejar. Todo mundo respeitou a minha casa, ninguém fez bagunça, super gracinhas.
E claro, amigo que é amigo, paga mico junto. Teve o impagável momento Lek-lek e Gangnam style, os hits do momento. Brasileiros, argentinos e a nossa espanholita fazendo o passinho do volante e sexy ladys, hahah.
Ainnn, ainda teve meu bolo lindo com mapa-múndi desenhado, um mural com fotos de lugares e pessoas que os convidados conheceram enquanto estiveram fora do seu país de origem e muita música nacional e internacional para todos os gostos.
E pra fechar a noite com chave de ouro, uma convidada quebrou uma garrafa (ainda fechada) de vinho TINTO no piso BRANCO da minha cozinha. Mas como eu disse, meus convidados foram umas gracinhas. A quebradeira de garrafas não só limpou a sujeira de vinho como deu uma geral na minha cozinha. =)
Depois de me despedir da maioria dos convidados, terminei a noite lavando louça, recolhendo lixo, empilhando mesas e cadeiras e conversando com os amigos que ficaram e mais uma vez me ajudaram a colocar tudo em ordem. Tudo isso tomando o resto de sangria, feito pela nossa espanholita e que por sinal foi disputado até a última gota.
Obrigada a cada pessoa que esteve presente num dia tão especial pra mim e trouxe o seu melhor, fazendo da festa um evento que com certeza deve ser repetido. ;)























Ao vivo

Trago dentro do meu coração, como num cofre que se não pode fechar de cheio, todos os lugares onde estive, todos os portos a que cheguei, todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, ou de tombadilhos, sonhando. E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(Fernando Pessoa)


É como esse sentimento que me despeço de mais uma experiência internacional. Para finalizar essa etapa da minha vida e a participação na coluna Intercâmbio, da CBN Tocantins, estive presente no programa Café com notícias, ao vivo. 
Agradeço a toda equipe pelo espaço e colaboração. Foi um prazer unir duas paixões (Espanha e rádio) e dividir com os ouvintes do meu Toca. 



Entrevista ao vivo com André Araújo 

Toda proza...


Abaixo é possível ouvir a gravação vinculada na rádio CBN Tocantins:


“Uma cidade quase monocromática”

Vista da cidade do outro lado do Rio Tormes

...como observou meu companheiro de passeios, Willian Silva.Uma cidade em pedra, em variados tons de marrom, assim é Salamanca.
Antes que as minhas constantes declarações de amor a Portugal dêem a erronia idéia de indiferença com a Espanha, venho contar a história dessa antiga ilusão que por fim se materializou.
No fim do terceiro ano eu realizei um mini curso de espanhol e desde então sou apaixonada pelo idioma.  Ao longo da graduação decidi dar continuidade as aulas e um pouco antes de embarcar para Salamanca terminei o curso de dois anos e meio.
Um dos professores que tive sempre mencionava a tradicional Universidade de Salamanca e eu fantasiei tanto a idéia de um dia estudar lá, que durante a minha passagem por Portugal tive que conhecer a cidade.
Na verdade quando decidi realizar mobilidade internacional minha vontade era de poder viver um tempo na Espanha, mas a minha universidade não tinha convênio com nenhuma instituição espanhola na época. Então o caminho mais próximo era Portugal.
Esse sim era um país pelo qual eu não nutria qualquer sentimento, aliás, não tinha qualquer referência, e como muitos brasileiros achava que a herança mais presente na minha cultura era língua.
Nem mesmo quando soube que viveria em Braga, busquei informações. Eu não queria criar qualquer expectativa, queria ver com meus próprios olhos o que Portugal tinha para mostrar. E que grata surpresa eu tive.
Mesmo diante do meu encanto pela terrinha, eu não consegui me desligar de “la puta madre”. Uma puta de uma madre, com certeza! E com todo respeito e carinho, claro!
Eu conheci o que pude da Espanha na altura, o que não foi muito, mas o suficiente para alimentar minha fantasia. Durante o intercâmbio minha primeira viagem foi para Madri e a última para Barcelona, destinos obrigatórios na minha cabeça.
Na Espanha tudo parecia mais grandioso e divertido, ousado. Eu adorava o jeito escandaloso das espanholas que riam escancaradamente. As pessoas que falavam alto pelas ruas e as cidades que não paravam noite a fora. 
Voltar para Europa, matar as saudades de Portugal depois de um ano meio, já eram razões suficientes para meu contentamento. Mas a viagem tinha significados que iam além. Não era só a Espanha dessa vez. Era Salamanca, com sua centenária universidade, que em 2018 completará 800 anos.
Voltar a Salamanca, morar na cidade ainda que por pouco tempo, e perceber o funcionamento dela dia-a-dia, mesmo no inverno (as cidades mudam completamente de acordo com a estação) era como uma dose diária de êxtase.
Só a Espanha tem esse olhar que põe malícia. Tem esse desejo entranhado no jeito de falar as coisas.
As espanholas chegam tão perto e te olham tão diretamente nos olhos que eu nunca sabia quando estavam só conversando. As mulheres tem um jeito despudorado que me encanta. Elas exageram nas roupas, na maquiagem, nas gargalhadas. São vida pura.
Falo em particular delas porque me identifico profundamente com esse jeito de estar no mundo. É um jeito que não pede licença para ser, só é.
Assim é a Espanha para mim, linda, grandiosa, viva. A Espanha que me encanta em qualquer época do ano e em qualquer fase da vida.
Assim foi Salamanca, que mesmo em pedra, de poucas cores e no inverno não deixou de ser vibrante. A cidade das minhas fantasias que finalmente se tornou real.


Convento de San Esteban

Bliblioteca Publica, Casa de las Conchas

Catedral

Catedral

Univiversidade Pontificia

Fachada da Universidade de Salamanca

Antiga Blibioteca

Plaza de Toros

Plaza Mayor


Sobre ser Erasmus (again) ou quase

"La gente está muy loca"


Passar três semanas em Salamanca me fez reviver, ainda que por pouco tempo, a vida Erasmus:
Morar numa residência universitária; Começar a aula às 9 da manhã, com o dia ainda escuro durante o inverno; Não ter hora para dormir; Quase não dormir; Fazer toda a rota de bares antes da balada; A balada que só começa depois das duas da manhã; Cantar e dançar músicas brasileiras que ninguém mais ouve falar no Brasil e achar que ta arrasando; Me afogar em Sangria;  Me empanturrar com chocolates, biscoitos e sorvete sem culpa porque ele são muito baratos e seria um pecado não prová-los ou porque qualquer trajeto pela cidade é feito a pé, o que vai queimar todas essas calorias (mentira, não queimar tudo) ou porque não importa quando se é Erasmus, as preocupações ficam para o retorno ao Brasil ou não; Atacar a máquina de comida na madrugada; Comer batata frita todos os dias no almoço e sofrer abstinência se não comer na janta; Conhecer gente de várias partes do mundo; Conhecer brasileiros de várias partes do país; Viajar, viajar, viajar; Estudar menos que o necessário; Dividir a vida com estranhos que repentinamente se tornam a sua família; Chamar a residência de casa; Comprar tudo que pode (e o que não pode) em saldos; Voltar pra casa contra a vontade; Ficar com ciúmes de quem ficou e vai ser Erasmus por mais um tempo; Morrer de saudades e prometer que vai visitar os amigos espalhados pelo Brasil e que um dia com certeza vai voltar a Europa. o/