Manifesto de uma mulher, brasileira, recém-chegada da Espanha


Turma do curso "A mulher na História da Espanha"

Há alguns dias vi na TV uma notícia sobre mulheres que eram obrigadas a se prostituírem em Salamanca, Espanha. Cidade de onde retornei há algumas semanas, depois de passar quase um mês estudando.
Além das duas horas diárias de estudo da língua espanhola, eu fazia um outro curso chamado A mulher na História da Espanha. Assim como o Brasil, a Espanha ainda é um país machista, não sei se em menor proporção, mas de uma forma diferente.
Nas aulas eu sempre ficava intrigada com uma das alunas. Ela se admirava quando a professora explicava que durante a Idade Média maridos podiam matar suas esposas por traição. Surpresa, ela perguntava se as mulheres poderiam fazer o mesmo a seus maridos adúlteros. Não por acaso, ela é suíça.
Eu me pegava pensando na maravilha que devia ser morar num país onde a diferença entre homens e mulheres é tão ínfima que relatos históricos como esse causam surpresa a uma jovem. 
Bem, eu tive que perguntar a ela se aquilo que para nós latinos não era novidade, era realmente tão novo para os seus ouvidos. Ela disse que se tratava de uma parte da História que ela não conhecia a fundo, mas, que de fato, em seu país, homens e mulheres eram praticamente páreos.
Dei um tom menos sério a nossa conversa e disse que alguns espanhóis haviam me contado que na Espanha, as mulheres é que tomavam a iniciativa e que isso é quase impraticável no Brasil porque muitos homens se sentem incomodados e não sabem como reagir diante dessa situação.
Em alguns casos até recriminam mulheres com essa atitude. E que as própria mulheres partilhavam do pensamento de que o homem é quem deve se encarregar da conquista.
Contei a ela que no dia anterior ouvi a queixa de um brasileiro que estava se sentindo um tanto quanto “castrado” porque não tinha tido a oportunidade de tomar a inciativa, já que as mulheres faziam isso antes.
Ela achou tudo muito engraçado e disse que iria ela mesma abordar esse brasileiro para descobrir qual seria sua reação.
Conversamos ainda sobre como as brasileiras tem uma certa obrigação social em assumir vários papeis. Além de trabalhar fora, devem ser mães e esposas.  De como elas se pressionam para casar antes dos 30 anos e de como a mulher que não cumpre todas essas etapas é vista com pena pela sociedade brasileira.
A minha colega de classe ficava surpresa a cada relato, mas não deixava de achar divertido. Parecia que eu lhe apresentava um cenário de filme, filme de época. Depois soube que ela não tentou nada com o brasileiro porque lhe parecia muito “aburrido” (chato) tentar mudar valores de outra cultura, mesmo de que brincadeira.
Eu tive que concordar. Achei sensato e respeitoso. Além disso, eu não passaria minhas férias na Espanha tentando convencer um brasileiro de que não há problemas em ser abordado por uma mulher.
Eu sempre digo que se não fosse brasileira gostaria de ser espanhola. Eu sinto esse “não sei o que” que vem “não sei de onde” pela Espanha. Mas eu desconfio que o fato das culturas serem tão parecidas seja a explicação.
Andando pelas ruas de Salamanca, à noite, é possível ver mulheres seminuas rebolando em mesas de bares ou homens expondo seus músculos atenienses. Uma cultura tão erotizada e preocupada com a beleza quanto a nossa.
E onde eu quero chegar com esse balaio de gato?
Justamente no que representa ser mulher e brasileira na Espanha e em outros países da Europa.
Eu sou uma pessoa tolerante em muitos aspectos relacionados à sexualidade e sou uma ávida leitora de temas sobre a discussão de gênero, muito embora não participe de nenhum movimento social e só escreve opiniões de vez em quando.
O fato é que enquanto mulher, eu adoto posturas que julgo do meu total direito enquanto pessoa, estando eu no Brasil ou na Espanha. Posturas que muitas vezes são mal vistas pela ala mais conservadora, do tipo falar com todas as letras que me interesso sexualmente por alguém, que faço sexo sim e que ainda por cima, gosto. Pode isso? Logo eu, uma mulher.
Pois é, isso acaba caindo no estereótipo da “latina libertina”. Mas diferente do que a Europa imagina as brasileiras ainda são conservadoras e machistas. E todas as bundas e peitos que se veem no carnaval não são mais do que o reforço desse machismo vivido no país.
E é esse país que tem grande responsabilidade se suas mulheres são tratadas como objeto de baixo valor e se elas se tornam escravas sexuais mundo a fora. É esse país que vende e reforça essa imagem em seus próprios cartões postais.
Não sou eu enquanto estudante brasileira, que vou para Europa em busca de aprimoramento intelectual, que devo me envergonhar ou me policiar para convencer uma outra nação tão machista quanto a minha que o Brasil não é celeiro de puta.
Não me sinto na obrigação de convencer ninguém de nada a meu respeito, principalmente quando o próprio país faz questão de reforçar o contrário. Não é enterrando a cara no buraco ou fingindo ser quem não somos que vamos mudar a imagem do Brasil lá fora.  
O país tem que oferecer as suas mulheres outras perspectivas para que elas desejem ser mais que uma “bunda rebolativa”. Para que as milhares de universitárias que atravessam o oceano anualmente ambicionem encontrar mais que um marido europeu. Para que elas desejem retornar a sua pátria porque aqui se sentem respeitadas ou para que todos esses desejos anteriormente questionados possam ser escolhas conscientes. É dando as suas mulheres condições para construção de um pensamento crítico que se dá a essas mulheres o direito de escolha.
O que eu espero enquanto mulher e enquanto brasileira é que quando eu manifeste meus desejos sexuais ou não, enfim, quando eu manifeste qualquer opinião que pareça chocante, as pessoas entendam que se trata da Gabriela indivíduo e não da latina desavergonhada. Que isso não seja um estereótipo vexaminoso para brasileira, mas que acima de tudo ser mulher e falar o que pensa não seja um estigma.
Não estou eximindo a Espanha da sua responsabilidade no caso retratado pela TV. Essa é uma vergonha partilhada pelas duas nações. É uma vergonha praticada mundo a fora. E não me refiro à prostituição, mas ao cerceamento da liberdade individual e em particular da mulher. Basta relembrar o recente e chocante caso da também universitária indiana, vítima de um estupro coletivo, num ônibus, quando voltava pra casa. A jovem não resistiu a violência e morreu.
Meu amor e admiração pela Espanha não diminuíram, assim como não diminuíram pela minha pátria. Muito pelo contrário. A minha rápida passagem por Salamanca me permitiu, como eu disse anteriormente, realizar o curso A mulher na História da Espanha e entender quão próximas são nossas culturas.
Pude perceber nas expressões de surpresa da minha colega de classe suíça, o que é viver numa sociedade que te respeita enquanto individuo independente do sexo. Vi uma sala repleta de mulheres, e para minha própria surpresa, de homens de diferentes nacionalidades interessados por um mesmo tema, a mulher. Porque independente da nacionalidade não aprendíamos só sobre a condição da mulher espanhola ao longo de séculos, mas sobre a condição da mulher ocidental.  
Pela primeira vez eu vi a discussão para além do grupo que representa. Discutir sobre a condição da mulher na sociedade não pode ser uma discussão apenas entre mulheres. A mudança do papel social da mulher, muda a sociedade como um todo, e, portanto se reflete na mudança do papel do homem.
Eu vi e comemorei mulheres, espanholas, que sim, tomam a inciativa em vários aspectos e não sentem vergonha disso.  E que falam olhando tão diretamente nos seus olhos e tão despudoramente próximas que eu nunca sabia se a conversa era só uma conversa.
O que não significa que os homens dessa sociedade sejam menos machistas. Como eu já disse só são de uma maneira diferente da nossa. Eles só parecem mais confortáveis com a nova situação. Tão confortáveis que o fato da mulher tomar a iniciativa só representa um trabalho a menos para eles.
Falar sobre quem toma a iniciativa numa abordagem é só uma maneira de ilustrar como se definem os papeis sociais. Não sei como as coisas se definirão nos próximos anos, mas espero que a questão deixe de ser “quem toma a iniciativa” para ser “não interessa de quem é iniciativa”, o direito é de ambos.
Longe de me sentir estigmatizada, dessa vez volto da Europa com a certeza de que como mulher, mas acima de tudo como indivíduo, posso caminhar “desavergonhamente”, com o perdão do trocadilho, por qualquer parte, porque a minha postura é resultado do meu direito de escolha, praticado conscientemente. Direito não só da brasileira, mas sobretudo da Gabriela. 

 

Uma versão mais "enxuta" do texto para publicação no Jornal do Tocantins (os jornais tem um limite de espaço para publicações), principal jornal impresso do estado.


Vídeo de divugação do protesto global  "Um bilhão que se ergue" que almeja combater a violência contra mulheres.


A Espanha me diverte, mas Portugal é pra casar


Lista feita ainda no Brasil

Mais do que voltar para a Europa, estudar na Espanha significava a possibilidade de rever Portugal.
Eu sai do Brasil com uma lista, muitas expectativas e um certo receio de frustração. Mas ninguém chega tão perto para desistir.  Não imaginava que naquelas pessoas que permaneciam em Braga, mais do que lembranças partilhadas, havia um sincero sentimento de amizade.
A todos um muitíssimo obrigado, pq vcs não só me ajudaram a cumprir cada item da lista, como fizeram com que ela crescesse, ao passo que eu ia me lembrando de pessoas, lugares e coisas.
Agradecimentos especiais para Edmara e Edilana que me receberam em casa e foram extremamente solicitas; para Ana que trouxe a minha memória o sabor da terrinha. Eu  derramei lágrimas sinceras depois da primeira garfada no bolo de bolacha que ela fez pra mim; para a Juh que me acompanhou durante um dia inteiro pelas ruas de Braga e  incansavelmente fez os melhores registros da cidade, incluindo fotos lindas do Bom Jesus, que eu não tinha; para o Rick que depois de dois invernos matou minhas saudades do seu inigualável crepe de chocolate com banana; e para meu eterno amor Erasmus, Rafaela Giacomozzi, que eu faço questão de visitar em qualquer parte do mundo. Obrigada por reviver comigo pessoas, festas, comidas, enfim, a nossa Braga.
Sei que muitos dos colegas da minha época de Uminho gostariam de fazer o mesmo e pelos comentários nas fotos eu percebi que de alguma maneira eu realizava a mim e aos outros (lembrei de todos enquanto estive em PT). Mas esse sentimento de pertencimento só foi possível pq amigos queridos ainda estavam lá.
A cidade está mudada, muitos lugares fecharam por conta da crise, muitos foram embora e alguns comentam que Braga tem um ar triste. Mas a cidade que eu revivi tinha gosto de saudade e as lágrimas que derramei não foram de decepção.
Dessa vez , no lugar da nostalgia, trouxe na mala a certeza que as águas que distanciam Brasil e Portugal não são suficientes para afogar  os laços construídos por essas nações.
#sófaltouoxuxu
#sardinhacomarafa
#sangriadocarpe
#bolodebolachadaana
#crepedechocolatecombananadorick
#natascomcafé
#bolinhosdebacalhau
#santateclacombigodenaportaria(impagável)
#saldosnazara
#pãocomchouriço/francesinha
#tostamista/croissantmisto
#uminho/ruadosbares
#aprimeiravezagentenuncaesquece
#melhoresamigosdomundo
#chegadesaudade!


Edilana (esq.) e Edmara (dir.), as melhores anfitriãs 

Só faltou o Xuxu :/

Sardinha (discoteca) com a melhor das melhores
P.S: Ignorem o Carvalhal sendo Robert na nossa foto 

Bolo de bolacha da Ana + sangria do Carpe Noctem 

Crepe de chocolate com banana do Rick

Pastel de nata com café

Pão com chouriço (primeiro plano) e francesinha 

Croissant misto

Eu, Juh e os bolinhos de bacalhau

Entrada da Residência Santa Tecla, onde eu morei por 1 ano

Foto linda que a Juh tirou no Bom Jesus

Toda gente no Rick Café

"E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem"
Estação de comboio de Braga

"E o meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria..."


Diário de viagem: Chega de Saudade !


 Saudade é amar um passado que ainda não passou...

(Pablo Neruda)


Pastel de nata com café


“Olá malta? Ta tudo?”
Como eu tinha dito no nosso primeiro encontro, no fim de semana passado eu estaria matando as saudades de Braga, Portugal, onde vivi por um ano.
Nada poderia ter sido mais emocionante. Eu devo confessar que participar do programa Top Espanha, mais do que voltar para Europa, significava a possibilidade de dar um pulinho em Portugal.
Então no sábado peguei um ônibus que vai direto de Salamanca a Porto, num trajeto que dura um pouco mais de 5 horas. Em porto peguei um metrô e mais um comboio (uma mistura de metrô e trem) contando mais uma hora e meia até chegar a Braga.  Chovia e a friagem parecia penetrar os ossos, como descrevem os portugueses. Eu já tinha esquecido quanto frio fazia naquela cidade e o dilúvio constante que Braga vivencia no inverno.
Na estação de comboio me esperava uma grande amiga brasileira que conheci durante o intercâmbio. Ela estava em Braga, visitando o namorado português. Ambos me levaram para jantar na casa de um casal amigos deles. Um jantar tipicamente português, com alheira, que é uma espécie de linguiça com vários tipos de carne; “ameijoas” com delícias do mar e para beber, vinho verde e sangue de boi (que é um estágio anterior a fermentação) como se fosse o suco da uva, bastante adocicado, uma delícia.
Depois do jantar, fui direto a casa de outras três amigas brasileiras que ainda residem em Portugal por conta dos seus mestrados. Foi lá que fiquei hospedada. Juntas, seguimos em direção ao bar, para matar as saudades de outros amigos e beber uma sangria. No bar acadêmico reencontrei muita gente da época do meu intercâmbio. Fiquei emocionada e abri o berreiro. Acho que a sangria pode ter tido alguma influência. Terminamos a noite na discoteca (como é chamada boate lá) que os intercambistas frequentavam. Foi uma noite inesquecível.
Ao longo dos três dias que fiquei em Portugal, eu revivi pessoas, lugares, comidas, tudo que o tempo me permitiu. Eu levei uma lista com todas as coisas que queria realizar, e que acabou por se estender, já que eu fui me lembrando de mais possibilidades.
Dentre essas coisas estava comer o tradicional bolo de bolacha português, que consiste basicamente em camadas de bolacha Maria, cobertas com um creme de ovo, açúcar e manteiga, simples assim, mas não menos significativo. Tão significativo que esse na primeira colherada, eu não pude conter as lágrimas. Como na obra “Em busca do tempo perdido”, de Proust, aquele pedaço de bolo, trouxe a mente não só as lembranças de uma época muito feliz da minha vida, mas a representação de uma cultura. Era uma receita portuguesa, feita por uma amiga portuguesa e saboreada avidamente em Portugal. Eu quase comi o bolo inteiro.
Eu também aproveitei uma manhã para realizar um tour por vários cafés da cidade e me empanturrar com outras iguarias: pasteis de nata, bolinho de bacalhau, tosta e croissant misto. E pela noite não faltou o pão com chouriço e a francesinha.
Visitei a Universidade do Minho, e tive a felicidade de encontrar um ex-professor, que foi muito simpático, embora já não se lembrasse de mim.
Subi ao Santuário do Bom Jesus do Monte, ponto obrigatório para quem for a Braga, e mesmo debaixo de chuva e com as mãos quase congelas tirei muitas fotos.
Para terminar minha passagem pela terrinha, fui matar minhas saudades do crepe de banana com nutela, feito pelo Henrique, do bar do Rick, o lugar mais frequentado pelos intercambistas da residência Santa Tecla, onde morei. Pequenino, tão pequenino que às vezes tínhamos que esperar algumas pessoas saírem para podermos entrar e comer, mas tão acolhedor que gerações de intercambistas continuam a frequentar e deixar suas fotos no mural. Eu levei a minha com uma dedicatória para o português e o francês que tornaram os nossos dias menos duros longe de casa.
Lugares, pessoas, memórias. Uma lista de atividades cumprida fielmente com a ajuda de muitos amigos. Um coração aquecido no frio e a certeza de que as águas que distanciam Brasil e Portugal não são suficientes para afogar os laços construídos por essas nações.
Com um coração saudoso, deixo vocês por hoje. Até já!


A passagem mais esperada de todos os tempo.
O nome ta errado, mas afinal, o que é um nome? rsrs

Jantar português

Carpe Noctem, a melhor sangria de Braga

B.A. com antigos e novos Erasmus (intercambistas) 

Fim de noite no Sardinha Biba, a discoteca mais frequentada pelos intercambistas 

Comendo, chorando e tentando agradecer a Ana pelo bolo de bolacha

Café A brasileira, o primeiro de vários que visitei 

Meu ex-professor na Universidade do Minho

Bom Jesus

Dedicatória no verso da foto que levei para colocar no mural do Rick Café

Crepe de chocolate com banana do Rick

"Tem lugares que me lembram
Minha vida, por onde andei..."



Abaixo é possível ouvir a gravação vinculada na rádio CBN Tocantins:

Diário de viagem: Última semana

Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras

Viver um ano em segundos

Não achar sonhos besteira



(Shimbalaiê, Maria Gadú)

No nosso ultimo encontro eu havia dito que faria uma viagem para Segóvia, Espanha, no fim de semana. Foi um sábado cheio de surpresas.
Primeiro conhecemos o aqueduto, uma obra imponente, de construção romana. Camadas de pedra sobre pedra, apenas encaixadas.
Vimos ainda a catedral e o museu. Depois do almoço fomos até La Granja, local onde a família real costumava passar as férias. Todas as visitas foram guiadas, e enquanto ouvíamos as explicações do guia sobre um dos cômodos do castelo que o rei mandou construir para seu melhor desfrute, começou a nevar. De dentro do quarto da rainha, víamos a neve cair no gigantesco jardim real.
Ficamos agitados e ninguém mais atentava as informações do guia. Descemos as escadas correndo até chegar ao pátio onde a neve caia com mais vigor. Foi lindo! Tiramos muitas fotos e fizemos alguns vídeos. Todos estavam realizados com a grata surpresa que a cidade tinha nos reservado.
Salamanca também não ficou atrás no quesito neve e nos premiou com dois dias de floquinhos brancos. Nem mesmo os mais concentrados estudantes, que passaram o mês enclausurados na biblioteca, conseguiram resistir a tanto encanto. Todos corremos para os pátios das residências e a guerra foi instalada.
Nem quem ficou olhando de longe foi perdoado. As bolas de neve vinham com toda velocidade na direção de quem estava na sacada. Quando o gelo derreteu, as escadas da entrada da residência ficaram ensopadas.
No domingo, fui ao encontro de Taísa, uma brasileira que estava fazendo doutorado em Salamanca. Eu tinha entrado em contato com ela para descobrir a melhor maneira de chegar a Portugal e as suas informações foram de grande ajuda.
Enquanto nos conhecíamos, ela me apresentou alguns bares da cidade pelos quais eu ainda não tinha andado. Conversamos sobre muitas coisas.
A Taísa fez mestrado em Portugal e por isso temos algumas vivências em comum. Falamos sobretudo das diferenças entre essas nações, Brasil e Portugal, e como o nosso olhar muda sobre ambas as realidades. É um privilégio poder ir e vir e tirar nossas próprias conclusões.
Bem, depois o resto da semana foi só despedidas. Aproveitei para visitar lugares que ainda não tinha visto, inclusive a redação da Gaceta Regional, principal jornal impresso de Salamanca. Também passei pela Radio Nacional de España, mas estava fechada.
Comprei lembranças, torrei meus últimos euros nas rebajas e sali varias noches de fiesta. Tudo isso foi conciliado com trabalhos e exames finais. Mas não poderia ter sido melhor.
No dia da entrega dos certificados, ouvimos palavras inspiradoras de alguns representantes da Universidade de Salamanca, que nos disseram o quanto é prazeroso ter alunos brasileiros estudando numa instituição que em 2018 completará 800 anos. Nós somos interessados, divertidos e gratos por tudo que recebemos.

Estudar na Espanha era um sonho anterior à universidade. Eu sempre fui encantada pelo idioma. Fiz um minicurso no terceiro ano e um mês antes de embarcar para Salamanca conclui o curso de espanhol na Universidade Federal do Tocantins, onde estudo atualmente.
Um dos professores de Espanhol que tive sempre me falava da tradicional Universidade de Salamanca e alimentei tanto a fantasia de um dia estudar lá que, durante minha estadia em Portugal fui conhecê-la.
Depois de um ano e meio, o retorno a Europa foi repleto de significados. Lugares, pessoas e coisas que conheci, revivi e redescobri. Um sonho a mais realizado e a confiança renovada na idéia de que se empenhar pelo que desejamos não é mérito, mas é a única maneira de sermos quem desejamos ser.
E nesse momento eu sou grata por cada pessoa que cruzou meu caminho e tornou inesquecível  mais essa experiência. Minhas melhores memórias dedicadas aos amigos brasileiros, portugueses e espanhóis.
Eu fico por aqui a espera de novas oportunidades e desejo que um dia cada um dos que me lêem também possam expandir suas fronteiras, sejam elas quais forem.
Besitos!


Aqueduto em Segóvia

Castelo em La Granja

Entrada da Residência de Cuenca, onde eu morava

Maria ficou tão emocionada que saiu só de meias e havaianas

"Tops" rindo a toa com a neve em frente a residência de Oviedo 

Um dos bares que Taísa me apresentou.
Não poderia ser mais apropriado.

Jornalistas na sede da Gaceta 

Radio Nacional de España 

Calle Toro: Rebajas, rebajas, rebajas!!!!

Última festa: "La gente está muy loca" sobre o balcão da Kandhavia (discoteca)

Meu certificado. 
Resultado: Sobresaliente =D




"Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi"


Abaixo é possível ouvir a gravação vinculada na rádio CBN Tocantins:

Huerto de Calixto e Melibea


Salamanca também tem seu Romeu e sua Julieta, “pero de nombres Calixto y Melibea”. 
A obra “La Celestina”, uma das mais importantes da literatura espanhola, tem como cenário o “Huerto”, que continua a inspirar apaixonados e “sigue siendo” palco de histórias de amor.




Monumento dedicado a  personagem Celestina 






Comprei uma edição de linguagem adaptada, já o texto original está em espanhol "arcaico"

Diário de viagem: primeira semana

...porque inseparablemente estás en nosotros...
incesante y fatal...

(España, Jorge Luis Borges)


Participantes do Top Espanha  2013

Hola chicos e chicas de Brasil!
Mando notícias da Espanha, onde estarei por três semanas realizando um curso de inverno. Estudo na Universidade mais antiga do país e umas das mais antigas da Europa, a Universidade de Salamanca.
Minha jornada começou no dia 5 de janeiro, quando saí de Palmas com destino a São Paulo. Lá encontrei todos os outros 88 participantes do programa Top Espanha, patrocinado pelo banco Santander. 
Além de estudantes e professores de várias partes do país, participam também integrantes do grupo Afroreggae. No dia 6 partimos todos no mesmo vôo para Madri e na manhã do dia 7 chegamos à capital espanhola onde pegamos um ônibus para Salamanca.
Depois de uma viagem de 12 horas, nada de descansar, afinal era domingo e na segunda a cidade estaria em feriado por causa do Dia de Reis. Então o jeito era “salir de fiesta” e como não poderia ser diferente, “baja una sangria!” Uma bebida originária da Espanha que mistura vinho, frutas, açúcar, canela e refrigerante, “y despues que tal una clara con limon?” cerveja com refrigerante de limão.
Os bares não estavam tão cheios. Aqui na Espanha os estudantes estão realizando os exames finais e por isso é mais fácil encontrá-los nas bibliotecas, mas os brasileiros tomaram as ruas e encheram os bares. Nós somos a festa!

Durante o intercâmbio, além das duas horas obrigatórias estudando língua espanhola, pude escolher um curso sobre A mulher na História da Espanha. Na minha sala há estudantes japoneses, chineses, americanos, austríacos e alemães.

Na terça começaram as ‘rebajas’, que são as promoções de fim de estação. Mesmo com a crise os espanhóis lotaram a Calle Toros, rua que concentra muitas lojas de departamento.

O inverno não está tão rigoroso como eu imaginava, durante o dia a temperatura tem permanecido em torno 10 graus. Fiquei gripada e por isso tenho aproveitado para também fazer ‘la siesta’, um hábito espanhol de dormir depois do almoço, a parte mais tradicional do comércio fecha as 14 horas e reabre as 17h.

Esse foi um pouco da minha primeira semana em Salamanca. Do dia 12 ao dia 15 estarei em Braga, Portugal cidade onde morei por um ano quando realizei meu primeiro intercâmbio. Estarei matando as saudades do lugar e aproveitando para reencontrar amigos que ficaram e uma grande amiga que está de férias por lá. No nosso próximo encontro espero trazer gratas notícias da terrinha!

Hasta la próxima!


As três selecionadas pela UFT 


Momento jornalista: Entrevista com Afranio Pereira, superintendente do Santander, para a CBN Tocantins

Laila, amiga dos tempos de intercâmbio em Portugal e minha convidada para a confraternização entre os participantes do programa


Sangria 

Brasileiros e a "clara con limon"

"Yeah, Yeah, Yeah
Que no pare la fiesta
Don't stop the party"


Abaixo é possível ouvir a gravação vinculada na rádio CBN Tocantins: