Um “tuga” no Toca


Momento desabafo:

Cara, graças a Deus que esse blog é pessoal, porque essa ordem que a vida impõe pra gente é muita chata e cansativa. Eu tenho um pouco de problema com disciplina, horários, prazos, metas, tempo pra isso, tempo pra aquilo.
Por isso, pelo menos aqui no blog eu não me obrigo a postar nada com regularidade ou em ordem cronológica. Então, respeitando as minhas dificuldades com prazos, eu vou falar sobre uma coisa super legal que aconteceu no mês passado.

O Xuxu veio me visitar!!!!!!!!!!!!!!!!

o/ o/ o/ o/ o/ o/ o/ o/

Depois de quase dois anos sem que a gente se visse e de duas tentativas frustradas, ele baixou em terras palmenses. Claro que eu fiquei de cara!
Ao longo desse tempo longe a gente manteve o contato via redes sócias e vez por outra com um bate-papo no Skype e com trocas de e-mails. A gente ficou de longe acompanhando a vida um do outro, dividindo nossas conquistas. 
Como eu disse num post anterior, não sei muito bem como a gente conseguiu criar e manter essa forma de se relacionar (e falo por mim, pela minha dificuldade em não criar expectativas), mas o fato é que funcionou.
Mesmo mantendo esse contato eu não esperava esse reencontro tão cedo. Acho que como eu já tinha esperado por isso nas duas vezes que me classifiquei para o TOP ESPANHA (aquele programa financiado pelo Banco Santander, no qual eu passei três semanas estudando em Salamanca) e não rolou, eu parei de esperar.
Deixa eu explicar direito essa parte da história. Na primeira vez que eu me classifiquei para participar do programa houve um problema na seleção e a minha vaga foi ocupada por outra pessoa, ou seja, nada de Xuxu pra mim. Na segunda vez, quando a viagem realmente aconteceu, o Xuxu recebeu uma proposta para trabalhar em Cabo Verde. No dia em que cheguei à Espanha, ele saiu de Portugal. Então nada de Xuxu pra mim mais uma vez :/.
 Depois de voltar à Braga (cidade que morei em PT) e rever muitos amigos e pessoas que eu nem imaginava, eu fiquei mais tranquila e entendi que a vida gosta de “trollar” a gente, quero dizer, que ela tem a sua própria maneira de fazer as coisas. É aquela velha história que a gente sempre ouve, mas que eu nunca aprendo “cada coisa a seu tempo”.
Pois é, só que daí, quando eu já achava que esse reencontro só iria acontecer daqui uns 5 anos, o meu tuguinha me aparece muito resoluto, querendo vir a Palmas. E não é que veio? Para minha surpresa e de geral.
Foi bom, foi estranho, foi saudoso e foi lindo. Como a minha fixa sempre demora a cair, eu fiquei sem assimilar direito tudo que estava acontecendo nos dois primeiros dias, mas depois as coisas encontraram seu lugar. Pena que ele só ficou uma semana, então quando eu estava me acostumando, ele teve que voltar. 
Mais uma vez eu tive que olhar pra cara da minha incansável amiga distância, que me acompanha desde sempre, toda vez que eu encontro pessoas legais.  E eu estou falando de modo geral: amigos, parentes, agregados, ficantes, peguetes, rolos e por aí vai... quer dizer, por aí se vão todos eles... (momento drama total!!!)
E a pergunta que não quis calar foi “o que você sentiu?”.
Bem, tirando o estranhamento inicial dos dois primeiros dias, eu senti que a gente ainda se dava bem e que era bom estar com alguém com quem você viveu coisas tão legais. Ponto!
Ponto porque a forma como a gente direcionou essa relação me preparou para me sentir dessa forma. Desde sempre a gente soube que entre nós seria assim, no máximo encontros muito esporádicos, quando a vida encontrasse a sua maneira de cruzar nossos caminhos (clichê né?).
Bem, mas foi super legal ver ele tomando caldo de mocotó e de chambarí; fazendo cara feia com açaí; curtindo um show de sertanejo; estranhando a agressividade no trânsito e o fato de quase ninguém fumar e sair torto de tanto beber numa festa open bar (comparado aos europeus) e achando que todas as mulheres vão exageradamente produzidas para qualquer festa;
Foi legal ficar bêbada com ele e brigar por causa de um copo (o copo é meramente ilustrativo porque o motivo poderia ser qualquer outro, já que a gente sempre briga quando bebe) e depois os dois apagarem e acordarem com se nada tivesse acontecido, rindo ao lembrar das bobagens que a gente falou um para o outro;
Foi muuuuuito legal dormir apertado da minha cama de solteiro, com as pernas entrelaçadas, apesar do mega calor que faz nessa terra;
Foi legal voltar pra casa sabendo que tinha alguém de quem eu gosto muito me esperando;
Foi legal ouvir de novo o sotaque português, do meu português;
Foi GENIAL ficar passando a mão naquela barba que eu adoro e poder mexer naqueles cachinhos escuros do cabelo (eu sentia muita falta dessas duas coisas em especifico);
E foi triste de novo, ter que dar tchau de novo, sem ter a mínima ideia se algo parecido com isso vai se repetir um dia. 

Reconhecidos ou redescobertos?


Como se organiza a desordem que fica depois de se ter sido inacreditavelmente feliz?
Não sei, honestamente não tenho a mínima ideia porque eu tentei inúmeras coisas. Aliás eu sofri cada dia até esquecer de sofrer. Nem me lembro quando foi isso...
Eu desejei a cada dia não lembrar das coisas boas e que me fizeram tão feliz, mas elas se manifestavam insistentemente até nos meus sonhos, como eu nunca sonhei antes. Aliás, eu nunca fui de sonhar. Mas era só adormecer para que cada pessoa e lugar voltassem para assombrar a minha tentativa de tranquilidade.
E a vida gosta mesmo de nos testar.  Durante meses eu desejei encontrar logo outra pessoa que me fizesse te esquecer o mais rápido possível. Eu desejei não saber mais nada de ti e ao mesmo tempo eu desejei muito tocar seu rosto. Eu podia sentir a sua barba e os cachos do seu cabelo. Eu desejei isso por meses e não fazia muito tempo que eu tinha parado de desejar todas essas contradições. Daí você vem assim sem mais nem menos, tão disposto, tão resoluto que eu nem acreditei, não levei a sério.
O tempo ia passando e eu tentava não pensar nisso. Eu me preparei para não criar nenhuma expectativa, assim como você bem me ensinou todo esse tempo a não esperar nada de você. Eu não tenho ideia de como a gente encontrou esse caminho, essa forma de se relacionar de longe, sem nunca perder o contato, mas sem pedir nada um para o outro.
Eu não sei como sobrevivi a esse jeito aparentemente distante. Essa forma despretensiosa de me relacionar com alguém não tem nada a ver comigo. O que eu sei é que encontramos o nosso caminho, uma maneira que não dizia mais respeito a ninguém, sem qualquer obrigação ou vontade de esclarecer aos outros.
O fato é que sobrevivemos ao tempo, a distância e as nossas desconfianças. Eu dizia que se um dia nós não nos reconhecêssemos, desejava que nós nos redescobríssemos. Lembra?
Acho que aconteceu um pouco dos dois. Eu me preparei tanto para não te atropelar com meu jeito incontido que sem me dar conta me convenci que já não éramos mais os mesmos e que eu não me sentiria ou agiria igual à antes. E para minha surpresa você veio encontrar justamente os meus excessos.
E pela primeira vez eu não soube como agir com você. Eu não sabia o que te dar. Eu esperava o seu habitual distanciamento, eu me preparei pra ele. Não por orgulho, mas porque eu não queria mais ser a mesma, eu não queria ter que arrumar toda a bagunça que você deixa, tipo agora quando eu estou escrevendo esse texto pra poder colocar em algum lugar aquilo que ainda não assimilei.
O fato é que depois desse estranhamento inicial, eu pude reconhecer algo de nós e pudemos nos redescobrir em outro espaço. E éramos de novo nós nas brigas, nas provações, desconfianças, insinuações, bebedeiras, conversas sobre as nossas diferenças (que aparecem nos atrair). Éramos nós no nosso jeito de dormir feito dois gatos, agarrados pelas pernas apesar do calor, apertados numa cama de solteiro. Logo eu que nunca soube dividir a cama, a não ser com você. Éramos nós. Então eu lembrei todo os motivos pelos quais nunca daríamos certo e todos pelos quais ainda damos certo.
E eu que achei que a despedida já tinha sido mais difícil um dia. Mas num último momento revivi o sentimento que um dia um português descobriu no Brasil. E mais uma vez será só saudade,  demoradamente  reacomodada num novo lugar que ainda não descobri qual é.





Clipes beijantes...

... dos quais eu adoraria ter participado

True Romance, Citizens
Deste eu não me importaria de ter feito todas as cenas. Esse clipe não é só delicious, é genial e se torna ainda mais interessante quando a gente conhece a história que o inspirou (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/06/da-australia-familiares-identificam-beijoqueiro-em-confronto-no-canada.html).

Indestructible, Robyn
As cenas são lindas e naturais.

O que esses clipes tem diferente de todos os outros que envolvem beijo? Eles mostram naturalidade. Naturalidade nos beijos, naturalidade nas pessoas. É mais que um bando de gostosinhos rebolativos tentando seduzir geral. Os beijos tem beleza, nos fazem desejar estar ali beijando muito sem apelar para a agressividade nas cenas. Eu simplesmente sou fã desses dois clipes *_*





Às vezes a gente sonha, outras realiza...

Now my life is sweet like cinnamon
Like a fucking dream i'm living in
Baby love me cause i'm playing on the radio
(Lana del Rey)


Esse post deveria vir antes do anterior. Mas eu andei tão tumultuada nos últimos tempos que voltei a escrever praticamente por desespero. Como vocês puderam ver o post do “senta e chora” é um desabafo.
Bem, mas esse daqui trata da boa notícia que eu gostaria de ter contado há algum tempo. Lembram daquelas minhas participações na rádio CBN Tocantins, com o meu diário de viagem, enquanto estive em Salamanca?
Pois é, essa participação me ajudou quando me candidatei a uma vaga de estágio na empresa. Eu passei por todo o processo bonitinho. Fiz provas, entrevistas e esperei como todo mundo. Mas acho que fato de já ter podido mostrar o meu trabalho contribuiu.
E assim eu fiquei mais perto do meu grande sonho profissional que é ter uma carreira no rádio. Coisa que ninguém acredita quando eu falo. Tem muita gente que desprestigia esse veículo por achar que é popularesco ou está ultrapassado. Mas eu sou apaixonada por rádio desde o dia que entrei no ar ao vivo, na rádio da faculdade, numa aula de radiojornalismo.
Nós, eu e minha turma, íamos ao ar semanalmente com um programa produzido e executado só por mulheres. Eu era umas das âncoras e sempre entrávamos ao vivo. Era sensacional. Eu me sentia super à vontade como se tivesse feito isso a vida toda. A partir daí eu senti um grande alívio, porque até então eu não tinha muita noção do que gostaria de fazer como jornalista.  
Só que como nada vem fácil nessa vida, eu ainda estou à espera da minha chance no rádio. Os últimos estagiários contratados na empresa estão passando por um sistema de rodízio. Cada um passa duas ou três semanas num veículo. A ideia é que passemos por todos os veículos para saber do que se trata cada um. Nas ultimas três semanas eu estive na produção da TV que é muito árdua por sinal.
A oportunidade é ótima, sem dúvidas, mas eu estou ansiosa pra voltar a ouvir a minha voz no rádio. Nos meus primeiros dias de estágio eu tive a chance de produzir e gravar algumas notas, entrei ao vivo algumas vezes e fui pra rua procurar entrevistados. Também pude acompanhar a produção do Café com notícias, o programa local, que vai ao ar de segunda a sábado, pela manhã.
Eu só senti o gostinho, mas serviu para reafirmar minha paixão. O rádio é tudo que eu idealizava. Eu adoro a maneira simples e direta de dizer as coisas, a proximidade com as pessoas. As pessoas se sentem mais a vontade nesse veículo e sentem que de fato é um veículo onde elas tem voz.
Além disso, o rádio está em todo lugar, nos confins dos confins e com pouca coisa você produz um programa inteiro. É um veículo mais independente em muitos aspectos. Uma única pessoa pode participar de várias partes do processo de produção e execução de um programa. Diferente da TV onde o trabalho é coletivo e é fundamental que cada um desempenhe muito bem o seu papel para não comprometer a continuidade dada por outra pessoa.
Meu grande sonho é um dia ter um programa meu, todinho meu, onde eu possa apresentar e definir as pautas e discurtir temas de cultura e de gênero em rede nacional. Simples assim né?
É complicado você ter um sonho tão redondo, onde você sabe exatamente cada coisa que deseja porque a gente idealiza demais e é difícil depois aceitar se alguma coisa fugir ao plano. Às vezes eu acho que estou muito longe dele e fico pensando no quanto eu vou ter que percorrer ainda. Mas eu fico feliz em ter um sonho, afinal, às vezes a gente realiza...

Estagiários CBN Tocantins



O dia do “senta e chora”


Então, ontem foi o meu dia do “senta e chora”. A minha primeira vez de “senta e chora” no trabalho. O que eu ainda não considero o verdadeiro dia do “senta e chora”, porque afinal, o esporro que eu levei foi de um assessor super mal educado que resolveu desabafar seu mau humor em mim que não tinha nada a ver com a história.
O grande dia do “senta e chora” ainda está por vir. Será executado pelo meu chefe, ou chefes. No momento eu estou num sistema de rodízio no meu estágio, onde vou passar por várias áeras da empresa, ou seja, com muitos chefes diferentes e com mais possibilidades de levar esporro.
Pessimismo? Só meio.
Eu já ouvi vários relatos de colegas de profissão que saíram da redação chorando. Eu sempre soube que era uma profissão difícil, mas acho que pensamos que com a gente vai ser diferente.
Além disso, já foi muito difícil me decidir por uma profissão. Eu gosto do jornalismo e enquanto eu não me desiludir o suficiente como vários dos meus professores de faculdade ou enquanto eu não descobri um plano B, eu vou ficando.
Ontem eu entendi porque o banheiro é o destino mais procurado na hora de sentar e chorar, literalmente. Porque foi isso que eu fiz. Fechei a porta, sentei no chão e larguei o berreiro, por mais ou menos uns 20 minutos. Ninguém apareceu lá.
Não sei se foi coincidência, mas acho que nas redações as pessoas estão tão ocupadas que nem tem tempo para um xixi. Se foi bom? Foi bom, foi ótimo. Lavei e rosto e voltei pra minha cadeira. Ninguém nem reparou.
Uma vez um colega meu que é formado em publicidade me contou que numa das agências em que trabalhou a prática era frequente. Ele tinha crises de gastrite e ia para o banheiro chorar. Ele disse que também sentia muita vontade de vomitar.
Não acho que somos sensíveis demais. Acho que pessoas normais reagem e as inteligentes botam pra fora, antes que vire uma úlcera.
Eu não sou o tipo de pessoa não se mata na faculdade, no trabalho ou em qualquer projeto que seja. Eu não vejo sentido nisso a não ser que eu acredite muito no que estou fazendo. E eu acredito muito em poucas coisas nessa vida.
As pessoas estão sempre mal humoradas, tensas e insatisfeitas na redação. Mas o mais triste disso tudo é que elas acham que isso é normal. Eu não acho e acredito que muito em breve a nossa relação com o trabalho vai ser radicalmente mudada. Acho que cada dia mais as pessoas vão buscar se satisfazerem naquilo que fazem diariamente. O prazer e a realização serão fundamentais para a execução de uma tarefa.
Enquanto essa realidade não se concretiza, enquanto eu não descubro a minha missão na terra (que pelo visto é super secreta), ainda vou sentar e chorar algumas vezes no banheiro. É eficaz e barato. Só tome cuidado para não ser apanhado porque pode custar o seu contrato de estágio.
Bem, não bastasse o esporro, um professor meu apareceu lá e me viu trabalhando. Então resolveu contar ao meu chefe que eu só tinha ido a uma aula dele. Pessoa querida essa... Tive que explicar (com a minha cara de tacho) que eu tinha trancado a disciplina e faria no próximo semestre porque afinal né, eu mereço férias e sinceramente disciplina de verão consegue ser inacreditavelmente mais chata.
O que eu estava pensando quando resolvi me matricular numa disciplina de verão depois de duas greves e férias mal resolvidas? Eu definitivamente não ando boa...
Depois desse expediente maravilhoso eu fui dar uma boa caminhada, li meu mais novo livro favorito, atualizei meu blog, abri um e-mail fofinho do Xuxu dizendo que tinha gostado da estadia em Palmas (aguarde novidades nos próximos posts), coloquei Florence no volume máximo e resolvi fingir que eu poderia ser feliz para sempre no meu quarto de parede lilás com estrelas florescentes coladas no teto e fotos das viagens e amigos espalhadas pelos móveis.

P.S: Aguardem por noticias, tenho certeza que o esporro do chefe não deve demorar.

Florence no último volume!!!!

Niver da Gabi: Festa das Nacionalidades



Já que não se pode parar o tempo, só nos resta comemorar a passagem dos anos. Por isso festejamos bodas, aniversários, ano novo...
E para alguém que nasceu no mês do carnaval, fazer festa é quase redundante. Bem, pelo menos pra mim que amo folia.
Nesse ano, que começou com outro intercâmbio muito bacana, onde pude não só rever amigos, mas fazer outros resolvi dar continuidade a essa vibe de troca de experiências.
Aproveitei a ocasião do meu niver para realizar uma vontade que já carregava há algum tempo, reunir amigos e conhecidos para falar sobre nossas experiências de intercâmbio.
A ideia era ter uma noite onde todos pudéssemos não só trocar experiências, mas também matar um pouco da saudade do lugar onde moramos. Um momento para falar abertamente dessa vivência, conhecer pessoas ou simplesmente reencontrar os amigos com quem partilhamos a experiência.
Propus aos meus convidados que cada um trouxesse uma comida ou bebida típica do país onde morou. A galera comprou a ideia e o cardápio foi composto por delícias como: tapas, tortilla, jamón, sangria (Espanha), salgadinhos, brigadeiro, beijinhos e caipirinha (Brasil), alfajor (Argentina), rissóis, bolinho de bacalhau, bolo de bolacha, patê de atum, vinho (Portugal), patê de alho (Líbano), creme belga (Bélgica) e Dirty Shirley (Estados Unidos).
Ao todo foram 7 nacionalidades participantes: Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, Líbano, Bélgica, Estados Unidos e Luxemburgo. Além dos conhecidos que fizeram intercambio, compareceram meus amigos, representando o Brasil, claro, mais dois argentinos e uma espanhola que estão estudando no Brasil.
Eu e alguns amigos decoramos a minha humilde residência (humilde mesmo, porque eu moro numa kit) com bandeiras e balões nas cores das nacionalidades participantes. Ficou bem legal.Eu fiquei mega feliz com a colaboração do pessoal, que além de ter se empenhado em trazer coisas gostosas, ajudou a arrumar tudo e emprestou algumas coisas.
Foi um mutirão mesmo. Era mesa da casa de um, cadeira da casa do outro. Um improvisa a iluminação. Outro lava o chão, outro faz  as bandeirinhas pra um colar e pendurar. Todo mundo enche balão.
Sem falar na missão de achar uma vela para o bolo às 21h40, antes que os supermercados fechassem. Vocês acreditam que até hoje eu não sei onde foi parar a vela que eu tinha comprado? Mas quem tem amigos tem tudo...
Depois de ligar pra um e outro, alguém salvou a noite e chegou com velinha que por acaso havia sido disputada com uma outra velhinha (do tipo, pessoa idosa mesmo) hahaha.
Além de toda essa colaboração, eu tive os convidados mais phinos que alguém poderia desejar. Todo mundo respeitou a minha casa, ninguém fez bagunça, super gracinhas.
E claro, amigo que é amigo, paga mico junto. Teve o impagável momento Lek-lek e Gangnam style, os hits do momento. Brasileiros, argentinos e a nossa espanholita fazendo o passinho do volante e sexy ladys, hahah.
Ainnn, ainda teve meu bolo lindo com mapa-múndi desenhado, um mural com fotos de lugares e pessoas que os convidados conheceram enquanto estiveram fora do seu país de origem e muita música nacional e internacional para todos os gostos.
E pra fechar a noite com chave de ouro, uma convidada quebrou uma garrafa (ainda fechada) de vinho TINTO no piso BRANCO da minha cozinha. Mas como eu disse, meus convidados foram umas gracinhas. A quebradeira de garrafas não só limpou a sujeira de vinho como deu uma geral na minha cozinha. =)
Depois de me despedir da maioria dos convidados, terminei a noite lavando louça, recolhendo lixo, empilhando mesas e cadeiras e conversando com os amigos que ficaram e mais uma vez me ajudaram a colocar tudo em ordem. Tudo isso tomando o resto de sangria, feito pela nossa espanholita e que por sinal foi disputado até a última gota.
Obrigada a cada pessoa que esteve presente num dia tão especial pra mim e trouxe o seu melhor, fazendo da festa um evento que com certeza deve ser repetido. ;)























Ao vivo

Trago dentro do meu coração, como num cofre que se não pode fechar de cheio, todos os lugares onde estive, todos os portos a que cheguei, todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, ou de tombadilhos, sonhando. E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(Fernando Pessoa)


É como esse sentimento que me despeço de mais uma experiência internacional. Para finalizar essa etapa da minha vida e a participação na coluna Intercâmbio, da CBN Tocantins, estive presente no programa Café com notícias, ao vivo. 
Agradeço a toda equipe pelo espaço e colaboração. Foi um prazer unir duas paixões (Espanha e rádio) e dividir com os ouvintes do meu Toca. 



Entrevista ao vivo com André Araújo 

Toda proza...


Abaixo é possível ouvir a gravação vinculada na rádio CBN Tocantins:


“Uma cidade quase monocromática”

Vista da cidade do outro lado do Rio Tormes

...como observou meu companheiro de passeios, Willian Silva.Uma cidade em pedra, em variados tons de marrom, assim é Salamanca.
Antes que as minhas constantes declarações de amor a Portugal dêem a erronia idéia de indiferença com a Espanha, venho contar a história dessa antiga ilusão que por fim se materializou.
No fim do terceiro ano eu realizei um mini curso de espanhol e desde então sou apaixonada pelo idioma.  Ao longo da graduação decidi dar continuidade as aulas e um pouco antes de embarcar para Salamanca terminei o curso de dois anos e meio.
Um dos professores que tive sempre mencionava a tradicional Universidade de Salamanca e eu fantasiei tanto a idéia de um dia estudar lá, que durante a minha passagem por Portugal tive que conhecer a cidade.
Na verdade quando decidi realizar mobilidade internacional minha vontade era de poder viver um tempo na Espanha, mas a minha universidade não tinha convênio com nenhuma instituição espanhola na época. Então o caminho mais próximo era Portugal.
Esse sim era um país pelo qual eu não nutria qualquer sentimento, aliás, não tinha qualquer referência, e como muitos brasileiros achava que a herança mais presente na minha cultura era língua.
Nem mesmo quando soube que viveria em Braga, busquei informações. Eu não queria criar qualquer expectativa, queria ver com meus próprios olhos o que Portugal tinha para mostrar. E que grata surpresa eu tive.
Mesmo diante do meu encanto pela terrinha, eu não consegui me desligar de “la puta madre”. Uma puta de uma madre, com certeza! E com todo respeito e carinho, claro!
Eu conheci o que pude da Espanha na altura, o que não foi muito, mas o suficiente para alimentar minha fantasia. Durante o intercâmbio minha primeira viagem foi para Madri e a última para Barcelona, destinos obrigatórios na minha cabeça.
Na Espanha tudo parecia mais grandioso e divertido, ousado. Eu adorava o jeito escandaloso das espanholas que riam escancaradamente. As pessoas que falavam alto pelas ruas e as cidades que não paravam noite a fora. 
Voltar para Europa, matar as saudades de Portugal depois de um ano meio, já eram razões suficientes para meu contentamento. Mas a viagem tinha significados que iam além. Não era só a Espanha dessa vez. Era Salamanca, com sua centenária universidade, que em 2018 completará 800 anos.
Voltar a Salamanca, morar na cidade ainda que por pouco tempo, e perceber o funcionamento dela dia-a-dia, mesmo no inverno (as cidades mudam completamente de acordo com a estação) era como uma dose diária de êxtase.
Só a Espanha tem esse olhar que põe malícia. Tem esse desejo entranhado no jeito de falar as coisas.
As espanholas chegam tão perto e te olham tão diretamente nos olhos que eu nunca sabia quando estavam só conversando. As mulheres tem um jeito despudorado que me encanta. Elas exageram nas roupas, na maquiagem, nas gargalhadas. São vida pura.
Falo em particular delas porque me identifico profundamente com esse jeito de estar no mundo. É um jeito que não pede licença para ser, só é.
Assim é a Espanha para mim, linda, grandiosa, viva. A Espanha que me encanta em qualquer época do ano e em qualquer fase da vida.
Assim foi Salamanca, que mesmo em pedra, de poucas cores e no inverno não deixou de ser vibrante. A cidade das minhas fantasias que finalmente se tornou real.


Convento de San Esteban

Bliblioteca Publica, Casa de las Conchas

Catedral

Catedral

Univiversidade Pontificia

Fachada da Universidade de Salamanca

Antiga Blibioteca

Plaza de Toros

Plaza Mayor


Sobre ser Erasmus (again) ou quase

"La gente está muy loca"


Passar três semanas em Salamanca me fez reviver, ainda que por pouco tempo, a vida Erasmus:
Morar numa residência universitária; Começar a aula às 9 da manhã, com o dia ainda escuro durante o inverno; Não ter hora para dormir; Quase não dormir; Fazer toda a rota de bares antes da balada; A balada que só começa depois das duas da manhã; Cantar e dançar músicas brasileiras que ninguém mais ouve falar no Brasil e achar que ta arrasando; Me afogar em Sangria;  Me empanturrar com chocolates, biscoitos e sorvete sem culpa porque ele são muito baratos e seria um pecado não prová-los ou porque qualquer trajeto pela cidade é feito a pé, o que vai queimar todas essas calorias (mentira, não queimar tudo) ou porque não importa quando se é Erasmus, as preocupações ficam para o retorno ao Brasil ou não; Atacar a máquina de comida na madrugada; Comer batata frita todos os dias no almoço e sofrer abstinência se não comer na janta; Conhecer gente de várias partes do mundo; Conhecer brasileiros de várias partes do país; Viajar, viajar, viajar; Estudar menos que o necessário; Dividir a vida com estranhos que repentinamente se tornam a sua família; Chamar a residência de casa; Comprar tudo que pode (e o que não pode) em saldos; Voltar pra casa contra a vontade; Ficar com ciúmes de quem ficou e vai ser Erasmus por mais um tempo; Morrer de saudades e prometer que vai visitar os amigos espalhados pelo Brasil e que um dia com certeza vai voltar a Europa. o/