Correndo atrás

"Vilmete" (amiga e parceira na correria nossa de cada dia) e eu na Balada Diferente

Sim, esse é título mais clichê que eu poderia escolher para esse texto. Você já dever ter lido isso um zilhão de vezes, mas vamos lá mais uma vez.


Há poucos meses, eu vi alguns dos meus desejos minguarem e ficou bem difícil segurar a onda. Talvez você até tenha notado pelo tom de alguns posts.

Eu andava bem chateada. Parecia que tudo que eu planejava estava fadado a não funcionar. A minha mãe me disse uma coisa tão linda, que de tão linda me deixou ainda mais descrente: “Peça a Deus, ele sabe o que seu coração deseja.”

Pronto, daí que a coisa desandou de vez, porque eu pedia dia e noite, todo dia, sentia que ninguém poderia querer mais que eu e mesmo assim as coisas não caminhavam.

Eu comecei a pensar N maneiras possíveis para aliviar toda a frustração. Foi quando eu me lembrei de uma vez que participei de uma experiência em grupo e um dos exercícios era correr no mesmo lugar, olhando para um ponto fixo. A terapeuta dizia “Corra, corra atrás do seu objetivo. Quanto mais pesadas parecerem as passadas, mais você tem que correr.”

Era mesmo difícil ficar ali, dois minutos que fossem, correndo atrás daquele ponto imaginário sem ter vontade de desistir e pensar que aquilo fosse bobo ou insano. Dava vontade de parar e chorar.

Aquilo era só mais forma de demonstrar determinação, uma coisa que andava em desuso na minha vida porque eu não tinha tido a necessidade dela até aquele momento.

E a vida é assim né? Fica pesada às vezes e parece que a gente ta dando murro em ponta de faca. Parece até loucura continuar insistindo numa coisa que não anda. Daí você começa a ficar em dúvida e  a se questionar o quão saudável é insistir.

Bem, quando a minha cabeça não conseguia mais suportar o peso das idéias eu resolvi dividir com o corpo. E dia- a- dia, lenta e gradativamente eu comecei minhas passadas. Todas as noites, depois da aula, por mais cansada que estivesse, calçava meu tênis e seguia em direção a segunda maior praça do mundo (superada apenas pela Praça Merdeka, localizada em Jacarta, na Indonésia). Sim, a Praça dos Girassóis que afortunadamente fica em frente a minha casa.
Durante muito tempo eu fiquei só na caminhada. Caminhava rápido como quem tenta fugir do problema. Tinha momentos que queria mesmo correr, correr dos meus pensamentos, mas eu sentia que ia me faltar ar se o fizesse.

Até que um dia a cabeça ficou tão cheia que os pés reagiram e dá- lhe corrida! Corri mesmo até ficar sem ar, até sentir tontura. Eu lembrei que a corrida oxigena o cérebro e foi isso mesmo que eu senti. Como se a cabeça estivesse cheia de oxigênio e ficasse meio inebriada por ele.

Eu não abandonei mais minhas voltas na praça e aos poucos fui introduzindo a corrida. Eu ainda não cumpro uma volta toda correndo, corro em blocos.

Outro dia eu cheguei em casa com a boca seca e coração acelerado, quase tive um piripaque. Mas estava com o maior sorriso do mundo. O sorriso que só eu vi, mas que você deve imaginar o tamanho, rsrs. Eu tinha corrido dois blocos seguidos pela primeira vez. Eu sabia que dali em diante seria sempre mais.

Hoje, 23 de junho de 2012, eu participei da minha primeira corrida oficial no evento Balada Diferente. A prova estava divida em três categorias: individual, em equipe (três pessoas) e push race (by skate).

Corri na modalidade individual ao lado da minha queria amiga Vilma. Não corri a prova toda, continuo avançando em blocos, mas corri mais que o habitual. Completei 9 km, com três voltas em 01h36min, com direito a medalha (para quem concluísse a prova). Não é um tempo que leve ao pódio, eu sei, mas foi o tempo da minha vitória.

E o prêmio, ainda que simbólico, é um incentivo para todos aqueles que mesmo cansados e sem preparado físico, mantiveram-se determinados a cumprir o objetivo da prova: chegar ao fim. Esse era o grande mérito.

Diante de todos os obstáculos diários que tenho enfrentado para me encontrar, a corrida tem sido meu estímulo. A cada nova passada eu me sinto mais próxima do que quero, com o corpo livre a mente mais vazia.

Engrosso aqui o coro de todos que falam maravilhas da corrida. É relaxante e viciante mesmo.

Ainda tenho que correr muito atrás. Em alguns momentos me falta ar e eu preciso reduzir para caminhada. Eu não me tornarei uma corredora tão logo, vai demorar. Respeitarei meu ritmo, meus limites, mas me manterei no percurso para alcançar, quem sabe, o único mérito: chegar ao fim. 

Alongamento para corridinha noturna na Praça dos Girassóis

Equipes em preparação: participantes colocam chips de monitoramento no tênis 

Chegada: "Alegria, alegria, salve simpatia!"

Para finalizar, show de rock com Nasi, ex-vocalista da banda Ira