A beleza que se tem


Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...

(Salão de Beleza,  Zeca Baleiro)



Outro dia eu vi duas matérias antitéticas na internet que me chamaram a atenção por motivos diferentes, claro, mas que tinham um tema em comum, a beleza.

A que eu vi primeiramente era sobre algumas famosas que estavam divulgando fotos sem maquiagem. Uma delas era a espalhafatosa Lady Gaga. Muito provavelmente a intenção era chamar a atenção pela contradição. Uma figura que conhecemos desde sempre montada, aparece de “cara limpa”.  Juro que revirei a minha memória e os sites que costumo acessar tentando encontrar essa matéria, mas não achei.

Frida?

O que essa matéria tinha de diferente para mim em relação a de tantos outros sites que divulgaram a mesma foto é que ela atentava para um possível novo padrão estético.
É claro que pode se tratar de uma estratégia de autopromoção que desencadearia só mais um modismo, (na matéria apareciam outras famosas sem maquiagem que também se auto fotografaram e publicaram na rede) mas bem que eu gostaria que essa moda pegasse.
As famosas através dessas fotos sugerem ser pessoas normais. Mas a partir dessa matéria eu interpretei as fotos como um novo modo se portar em relação ao que é belo. A mim agradou muito a idéia do natural, sem maquiagem ou com pouca maquiagem.
Gosto muito de maquiagem. Durante o dia costumo usar corretivo, pó, rímel incolor e um batom, que pra mim é indispensável. Quando vou sair carrego mais. Mas entendo maquiagem, assim como outros recursos de acessória a beleza, como algo complementar.
Gosto da idéia do recurso que só realça nossas características, que favorece aquilo que já temos de belo. Não sou muito adepta do invasivo.
Sou a favor de mudarmos coisas que nos causam incomodo e que muitas vezes interferem até na forma como a gente se relaciona e se posiciona na vida. Mas nada que nos descaracterize.
A outra matéria que também bombou na net e que é justamente o oposto a idéia de naturalidade. É sobre a jovem aspirante a Barbie.( http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=24334&fb_source=message) Não consigo achar isso bonito. É tamanha a semelhança que a menina parece de plástico.
aspirante a Barbie girl

A cara de paisagem me deu aflição e me lembrou aqueles bonecos de cera, do Madame Tussaud . Aliás, essa beleza muito perfeitinha nunca me chamou muito atenção, eu acho sem graça, sem vida.
Mas o que me parece mais preocupante é esse encantamento por algo que não é real. O artificialismo como referência de beleza.
Poxa, eu sou filha da Elza que nunca fez dieta, nunca se preocupou com celulite e estria e só pintou o cabelo ao 50 anos. E que segundo meu irmão, ela está reconsiderando a hipótese de deixá-lo branco. A minha mãe sempre foi muito bem resolvida em relação à imagem dela. O que não quer dizer que ela não tenha vaidade.
A minha vaidade não é tão minimalista, mas eu aprendi com a minha mãe a achar bonito o que é nosso. Aprendi a ver beleza na idade que se tem. Vejo minha mãe envelhecendo sem neura e acho super legal as mulheres que assumem a beleza que os anos trazem. Que envelhecem assumindo a idade que tem.
Tenho resistência com perfis como Gretchen e Suzana Vieira. Acho legal se cuidar e querer estar bem independente da idade. Mas forçar um rejuvenescimento vai ser sempre algo for-ço-so.
Bem, talvez quando eu chegar na idade delas eu não pense a mesma coisa. Reconheço a pressão que a nossa sociedade coloca em relação a beleza feminina. Somos uma sociedade que valoriza a juventude e um país que vende mulheres nuas. Todos crescemos com as bundas nas tardes de domingo. O que seriam nossos carnavais sem a Globeleza?  Mas gosto de pensar que o mundo se autoregula. Sempre que pendemos muito para um lado, em seguida tentamos equilibrar.
Vivemos o momento do artificial, e uma hora vamos cansar de tentar ser o que não somos. Acredito que tão logo nos veremos valorizando aquilo que já vem pronto: nós, tal e qual nascemos, ou pelo menos sem incessantes interferências. 


Sobre naturalidade ainda, deixo aqui a declaração da fotografa Gabriela Mo que fez as fotos de Ana Carolina Prado, capa de Abril da revista Trip.


Ana Carolina Prado


" Como mulher, quero ver mulheres de verdade, e não inatingíveis. Quero ver pessoas parecidas comigo e com as minhas amigas – até porque somos bem atraentes também... E, em alguns casos (na maioria, na minha opinião), acho até que somos mais bonitas do que essas que se transformam completamente, se tornando algo que não são."

3 comentários:

Carlos A. Carneiro disse...

Voce escreve mt bem gabriela. gostaria de comentar um trecho: "Reconheço a pressão que a nossa sociedade coloca em relação a beleza feminina. Somos uma sociedade que valoriza a juventude e um país que vende mulheres nuas. Todos crescemos com as bundas nas tardes de domingo. O que seriam nossos carnavais sem a Globeleza?"

acho que quem realmente faz a pressao da aparencia da mulher eh ela mesmo. se vc perguntar pra um homem se vc esta bonita depois de se arrumar ele provavelmente vai dizer q sim, e diria q sim mesmo q vc estivesse menos arrumada(eu por exemplo acho o natural mais bonito). o problema esta no fato das mulheres querem ser mais bonitas umas q as outras. com relaçao a sociedade,bundas e globeleza digo, isso so existe pq as pessoas dao audiencia. eu cresci sabendo da existencia dessas porcariadas todas mas jamais dei a minha audiencia a essas coisas.

enfim, eu poderia ter elaborado algo melhor pra defender meu ponto de vista(espero q tenha dado pra pegar o contexto pelo menos) mas estou exausto ate pra pensar, tive aula o dia todo rs mas me senti na obrigação de te parabenizar e demonstrar o meu contentamento com o seu post. acho q vc escrevera otimas materias na sua vida profissional.

Carlos A. Carneiro

Gabriela, sempre Gabriela disse...

Sim, nós mulheres nos pressionamos, mas essa pressão não brota da nossa cabeça. Não é um fenômeno individual. Nós crescemos com referencias e os padrões de beleza que nos são impostos não dão margem a diferença, as características de cada uma. Aqui não estou falando de pessoas em específico. Sei que existem aquelas que não tomam determinados padrões para si, mas estou falando da ideologia pregada para todos.
Não nos arrumamos necessariamente para homem ou mulher e sim para o outro.
E você é homem, não interpreta essas referencias da mesma forma que uma mulher.
Estou falando de algo mais geral. Da sociedade como um todo, primeiramente de valores da cultural ocidental e depois recorto para a sociedade brasileira.
Ai Carlos, essa é uma discussão que aprecio, fica difícil explanar tudo que penso em um comentário. Mas fiquei feliz por vc ter lido e comentado. Obrigada pelo elogio e estou sempre aberta a discutir opiniões contrárias ;)

Carlos A. Carneiro disse...

Nao eh opiniao contraria, eu concordo com o q vc escreveu. Quis dizer q eh possivel mudar e n seguir o q a sociedade impoe mas eu tbm n soube expressar tao bem o meu ponto de vista pois como disse estava exausto, me perdoe :). eu li varios outros textos seus, akele "eu gosto de meninos" eh mt bom me chamou bastante atençao. :D
se cuida!

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