O que a nega maluca tem a ver com a história?



Quando a saudade consegue ser maior que todo o esforço pra se distanciar, pra afastar os pensamentos (se é que é possível)... Quando o coração fica apertado e os olhos transbordam as lágrimas... Quando todas as suas tentativas de direcionar sua atenção pra qualquer outro lugar, o mais distante possível, falham... Quando livro, filme conversa não detêm a sua concentração, porque apesar de tooooooooooooooodo o esforço você simplesmente não consegue esquecer, porque afinal você não quer esquecer, porque você sabe que toda e qualquer lembrança é maravilhosa e na realidade mesmo, você não quer que elas se percam, você quer preservar cada memória porque também sabe que lá na frente elas vão te trazer aquela sensação reconfortante de que tudo valeu... Quando esperar já não é uma escolha realista, mas a única opção que resta... Quando você sabe que negar a atual situação não ajuda... Quando você resiste às mudanças... Quando você tenta todas as mudanças... Quando você tenta passar correndo por esse momento... Quando você “grita”: “Stop! Não quero mais brincar disso”... Quando você quer desligar o botão... Quando você respira fundo e espera de novo e invoca pela paciência... Quando você já sabe e repete pra si mesma que vai passar... Quando você revê fotos... Quando você evita fotos... Quando tenta se reacostumar com aquilo que não te satisfaz tentado se convencer de que negar a situação é criancice... Quando você se cansa de tentar tudo porque não adianta, todas essas reações fazem parte do processo e não há como “pular” a fase, você vai ter que passar por isso... Então aí você chora, se deixa chorar... Assim sem pressa, sem culpa.
Deixa ir, deixa desafogar e pede dentro de si pra não esquecer, mas pra mover esse sentimento pra algum lugar que te deixe respirar, que te deixe dormir, que te deixe comer, que te deixe querer outras coisas, que te deixe... porque no fundo é você que quer deixar ir...

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Sinceramente eu quero muito deixar ir, quero muito pular essa parte do processo, eu quero muito ficar numa boa de novo com as coisas que me deixavam numa boa, mas não tá dando sabe? E se conformar com isso é tentar retroceder, o que é impossível.
É impossível ser o que se foi, porque já foi! E é ridículo porque isso é querer assumir posturas que já não se adequam mais.
É rejeitar a mudança e desprezar toda a experiência vivida.
É passar por essa vivência sem sentir que nada mudou. Voltar pra aquilo que era teu mundo antes e achar que vai ser tudo igual. Tentar calar esse crescimento que reverbera dentro de si. Seria ingenuidade acreditar nisso, seria lastimável esperar por isso.
É como diz aquela música do Nando: “Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...”, “Eu não tenho mais cara que eu tinha... no espelho essa cara já não é minha...”. Não dá pra esperar caber no mesmo formato e é realmente muito forçoso tentar isso, principalmente quando se ansiou por toda essa mudança. 
É meio confuso até pra explicar, porque sou eu tentando entender o crescimento ao mesmo tempo em que tento entrar nas roupas apertadas, sentindo toda essa falta de alguma de um monte de coisa. Além de ter que aceitar que esse momento passou, quando ainda não passou dentro de mim.
Outro dia estava comendo um pedaço de nega maluca (só pra lembrar eu sou chocolatra) e lá no finalzinho, quase no ultimo pedacinho me deu uma melancolia.
De repente uma das coisas mais poderosas sobre meu estado de espírito não estava sendo capaz de suprir a ausência de qualquer coisa, pelo contrário, acho até que foi ela a culpada.
Aquela delícia me trouxe uma lembrança de algo que eu também gostava muito. E ela estava ali, acabando, no último pedacinho. Quase nem consigo chegar ao final da nega.
Pois é, meus sentimentos agora são confusos assim. Eu mal consigo organizar as palavras, as idéias nesse texto, também nem tenho vontade. 


                                Achei uma graça, tive que postar ^^ 
                                ( para ampliar clique na imagem)


Agora será verão pra sempre

Oi, tudo bem?
Tudo, e com você?
Ótimo! Como está a correr o seu verão?
...


E haja calor! E haja suar! E haja chuva!
Chuva? Que chuva?
Chuva de verão onde o verão permite chuva.
No Brasil, nada nunca é uniforme. Portanto enquanto algumas cidades estão debaixo d’água outras são notícia pela falta dela. E lá vem seca e lá vem queimada e lá vem reclamação. Eu mesma não consigo transitar de um cômodo a outro da casa sem transpirar. Bendito seja o ar condicionado que não resolve por completo, mas melhora a situação.
Mas eu reclamo? Nunca!!! Nunquinha da Silva!!!
Todas as vezes que eu cogito uma reclamação sou tomada pelo mesmo pensamento: “Você quis muito isso!”
Quis mesmo e como quis!
Quis todos os dias às oito quando eu tinha que levantar com aquela chuva infinita durante as manhãs de inverno e para além delas.
Quis todas as vezes que tive que tomar chazinhos (não gosto de chá) pra esquentar o corpo e aliviar a garganta.
Quis todas as vezes que dormi encolhida porque meu pijama de inverno, três cobertas e mais um aquecedor não eram suficientes para aplacar o meu frio.
Enfim, minha paixão pelo calor é declarada e dentre as coisas que me fazem feliz por ter voltado essa é uma delas. Dias inteiramente quentes no Norte do país, onde eu moro.
Mas esse post não é exatamente sobre clima. 
Sabe quando a gente fica sem assunto e acaba falando sobre o tempo, tipo: “Tá calor hoje né?” Pois é, na verdade eu não fiquei sem assunto, eu só não estava sabendo como começar.
Como falar da volta sem soar essa tristeza que às vezes é confundida com arrogância? Porque a readaptação não é fácil e essa tristeza não é ingratidão (tá mãe?) nem desdém pelo lugar onde se vive. É só esse monte saudade pelo que ficou lá.
Mas pra gente não ficar nessa eterna ladainha de saudade e nem eu ser confundida como uma vira-casaca, hoje eu vou falar de reencontro.
É, reencontro com essas partes de mim que ficaram por aqui. As coisas pelas quais eu nutria aquele saudosismo e que alimentavam meu patriotismo.
Tudo que um dia foi lembrança hoje são argumentos que me ajudam nessa fase de adaptação. E o que tem nesse reencontro?
Tem aquele sentar com mãe pra ver a novela e perder boa parte dela enquanto ela comenta os acontecimentos do capítulo anterior. 
Tem aquela chuva que em vez de refrescar deixa o tempo mais abafado, com aquele cheiro de asfalto molhado que se mistura com a grama que circunda a casa.
Tem aquele copão de suco natural de laranja bem gelado naquela tarde de domingo durante um passeio na ferinha.
Tem a caipirinha com açúcar cristal e gelo em cubo, feita diretamente no seu copo. (no açúcar mascavo, no gelo triturado, no ponche de cachaça).
Tem aquele cheiro de manga que te acompanha por toda a avenida durante os meses de chuva, que são tidos como o “inverno nortista”.
Tem aquele se perder (no tempo) enquanto passeia pela sessão de livros e discos brasileiros de uma loja.
Tem “minha gente” falando a “minha fala” que pode ser mesmo bem diferente do meu jeito de falar.
Tem o vendedor de pamonha passando todo dia na frente minha casa.
Tem aquele pão de queijo na cantina da facul com aquele cafezinho passado no coador.
Têm todas as caras, as cores, os cheiros...
Tem aquela conversa iniciada com um estranho na fila do banco, no assento de ônibus...
Tem o tocar sem assustar entre gente que não tem medo de gente.  Lugar onde beijo e abraço não são coisas invasivas.
Tem comida mais temperada, onde o salgado é mais salgado e o doce é mais doce.
Tem água de coco a venda nas calçadas .
Tem açaí “puro” que não é vitamina. Que se toma com açúcar e/ou farinha sem frutas e granola.
Tem peixe de água-doce, assado na folha de bananeira.
Tem aquele sol que acorda (com) a gente às seis da manhã e nos deixa naquele finzinho de tarde, lá pelas seis também.
Então em resposta a pergunta feita acima: o meu verão tem corrido como muitos outros dias da minha vida, cheio dessas pequenas coisas, nessa forma de reencontro. Esse verão infinito do Norte do meu país, com um sol que parece nunca mais querer ir embora, (sem dúvida umas das coisas que eu mais sentia falta) e que agora (outra vez) vai ser “pra sempre”.

"Eu voltei, agora pra ficar,
Porque aqui, aqui é o meu lugar
Eu voltei, pras coisas que eu deixei,
Eu voltei, eu voltei"
(O Portão, na versão Titãs pq eu gosto mais) 


Será? Acho que pelo menos por um tempo...
Mas confesso que ando mais tendenciosa  pelo embalo da Elba...

"Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade"
( De volta pro aconchego, Elba Ramalho)