Você ainda está aqui



“Bem mais que o tempo
 Que nós perdemos
 Ficou prá trás
 Também o que nos juntou...

(Resposta,Skank)


Sempre quis te escrever umas palavras, mas nunca achei que fossem as melhores ou que fossem suficientes. Então hoje resolvi parar de esperar pelas palavras certas e te dedicar as sinceras. A você que me dedicou tantas.
Foi sempre assim entre nós né? Eu sempre tentando te dar o meu melhor, eu sempre tentando te alcançar porque sempre te senti tão à frente. Quando na verdade você sempre esteve a meu lado, mas perto de mim que eu mesma. Você sempre deixou isso tão claro, nunca quis que fosse diferente, nunca quis estar além de mim. Mesmo ciente disso, nada mudou a minha forma de te ver. Eu sempre quis te alcançar.
E olha só eu seguindo seus passos. Hoje escrever também se tornou um refúgio pra mim. Aconteceu assim, sem querer, sem pretensão, mas me faz pensar em você.
Aliás, eu sempre penso em você. Você é essa lembrança constante. Essa coisa boa que me faz ter certeza que valeu a pena. Sempre vale não é? O que não vale a pena nessa vida? Você me mostrava isso diariamente. Tentava insistentemente me fazer perceber isso, intencionalmente ou não. Era só você sendo você.
Mesmo tentando me fazer acreditar na sua falta de otimismo, era você quem mais acreditava. E com você eu acreditava. Em você eu acreditava. E você que acreditava em mim? Me fez grande, me fez corajosa. Segurou minha mão enquanto eu não consegui andar sozinha. Se quiser eu posso te estender a minha mão e ajudar a levantar, mas não posso te carregar no colo, palavras suas que eu nunca esqueci. Não, eu não esqueço. Eu não esqueço nada. Você ainda está aqui.
Está em tudo. Em cada memória preservada; nas músicas que partilhamos; nos bilhetes e objetos no fundo da caixa de recordações; numa foto no meu mural; na minha boca quando menciono exemplos das nossas histórias; num souvenir que comprei em Londres, ao passar por uma loja de lembranças. Um daqueles globos com água e seu personagem favorito dentro. Como esquecer a Baker Street...
As vezes busco por referências e notícias suas...
Eu sei que era tudo que você menos queria... ser uma lembrança. E aqui estou te pondo justamente nesse lugar e talvez te ferindo mais uma vez com tanta honestidade. “Palavras duras em voz de veludo”, como diz a música dos Paralamas.
E era só o que podia te oferecer naquele momento. Eu precisava de mais e a responsabilidade não era sua. Eu precisei ir ver o mundo.Eu precisei ir lá ser grande, andar sozinha, sem a tua mão. Eu precisava errar, cair, levantar. Eu também precisava ser feliz de outras formas. Eu precisava provar d’outros sabores. E você sabia disso. Sabia que se continuasse a me dar força, eu iria buscar por mais. E não foi egoísta a ponto de me negar ajuda.
Essas palavras não tem a pretensão de te fazer aceitar ou entender nada. Nem são tentativas de justificação. Eu não acho que te devo isso. Faz tempo eu já me “perdoei” por buscar meu caminho. Eu nem sei se quero que você saiba disso, porque é até meio egoísta da minha parte. É que te lembrar me faz acreditar, na vida e nas pessoas, longe de qualquer exagero.
Você que é ou era (acho difícil que não seja mais) tão simples, com olhos tão meigos, de uma fala alta que não condizia com a sua forma moderada de levar a vida. Com um julgamento justo e generoso acerca dos outros. Das poucas palavras e do silêncio que por vezes me irritava e dessa calma quase infinita que respingou em mim e me ajudou a ser mais paciente.
Eu sempre soube que eram poucas as pessoas assim, mas com você eu tive a certeza de que elas existiam. Eu tive a sorte de encontrar algumas mais pelo caminho e assim como você, elas me renovam as esperanças. Não estou te substituindo e tento não fazer comparações, mas às vezes é inevitável.
Uma vez eu ouvi que quando as pessoas são assim calmas, pacientes, com esse ar de que a vida vai sem pressa, que transmitem sabedoria, significa que já viveram muitas vidas e por isso acumularam a experiência. Nunca tive certeza se acredito ou não nisso, mas acho um pensamento bonito. Acho uma maneira esperançosa de pensar o mundo. A possibilidade do recomeço e do eterno aprendizado. E sempre que lembro disso, você me parece um bom exemplo.
Essa paz e essa certeza que lá no fim tudo se ajeita eu senti com pouquíssimas pessoas, como é de se supor. Pessoas espiritualizadas independente de religião. Não entenda mal, não quero te por num pedestal e muito menos te fazer santo. Também reconheço seus defeitos.
O que gosto de pensar é que as pessoas cumprem funções na vida umas das outras. É claro que isso não é uma coisa programada, pré-estabelecida pelos astros ou forças maiores, não acredito em destino.  Acredito em escolhas e acasos (a parte que não podemos controlar, graças a Deus). E foi isso que aconteceu. Um acaso nos pôs frente a frente e juntos fomos fazendo escolhas que nos trouxeram até aqui.
E quando já não mais satisfazia, chegou ao fim. Como tinha que ser. Mas de forma alguma foi em vão. Porque você ficou, você está em muito do que sou hoje. Você ainda está aqui.

Música acertada

Meio nós: qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência 


* E agora relendo, me parece tão arrogante e pretensioso tudo isso. Egoísta. Pôr alguém numa caixa de lembranças e achar que possa ser bonito. Parece até cruel. Mas é o percurso natural. Talvez esse texto como meus pensamentos acerca disso sejam editados muitas vezes. Falar de você, de nós nunca vai ser simples.

A ilha da fantasia


"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos...”
(Clarice Lispector)

Calor, silêncio e nada pra fazer, o jeito é curti preguiça. O dedo aperta freneticamente o controle da televisão que percorre os poucos canais disponíveis na TV aberta.
Hum... algo me pareceu interessante. Paro. Assisto. Descubro. Mas então o telefone toca e alguém me convida para trocar a monotonia da televisão por alguma conversa fiada. Vou.

A descrição feita acima trata de uma típica noite de domingo em Palmas, ocorrida há quase um ano atrás. E atração que me fez sossegar o controle chama-se “A ilha da fantasia”, que na altura era exibida pela TV Brasil (antiga TVE).
A série foi produzida entre 1978 e 1984 e apresenta como temática a história surreal de uma ilha onde todos os desejos podem ser realizados. (http://www.mofolandia.com.br/mofolandia_nova/ilha_fantasia.htm)
Mais que delícia de série heim?! A idéia não me pareceu original, mas ainda assim fantástica. Afinal, quem não gosta de fantasiar? Quem não gostaria de uma vez na vida que fosse, poder realizar um desejo, simples assim, ao alcance de apenas um pedido? Imagine um lugar onde isso fosse possível...
Bem, eu não encontrei uma ilha, mas encontrei um lugar que possibilita isso.  Eu sei que a analogia pode parecer um pouco exagerada. Você deve até estar pensado: “Nossa, a Gabi tá viajando!”.  Mas pra mim é isso que a experiência do intercâmbio tem significado.
E quando me referido a lugar, não se trata do lugar em si, aliás, pelo que já escrevi de Braga, a cidade está longe de ser uma ilha da fantasia. Talvez pudesse ser qualquer parte do mundo. O está em questão aqui é condição de intercambista que e o que essa vivência possibilita.
A vida ganha contornos mais descompromissados, às vezes até irresponsáveis mesmo. A sensação é a de ausência de vínculo com o lugar e com as pessoas, portanto uma preocupação significativamente menor em relação às conseqüências. A oportunidade de dar vazão a todas as vontades. E eu tenho levado essa perspectiva muito a sério.
Fiz só o que quis quando quis:
Estudei quando deu vontade (não foram muitas às vezes);
Dormi até cansar de dormi. Não tive horários regulares de sono e quase nunca tirei meu cochilo da tarde (isso era sagrado pra mim no Brasil);
P.S: O item sobre sono é mais longo porque é assunto de grande ocupação na minha vida.
Provei toda comida disponível nos mercados, restaurantes e afins (engordei 4kg);
Bebi além dos dois copos (meu limite);
Beijei-etc-e-tal quem deu vontade (esse você já tinha certeza, haha);
Comi chocolate todos os dias (barras);
Viajei;
Só cursei as disciplinas me agradaram;
Peguei elevador pra ir até o primeiro andar; (oh, vivendo no limite! haha)
Me apaixonei;
Liguei em casa menos do que deveria.
Comprei muito;
Assisti todas as séries que estavam no meu pc a tempos esperando por tempo um tempo disponível;
Dormi sem escovar os dentes e sem tomar banho, depois de baladas e viagens (e nem vem dizer: “eca, que nojo”, porque você já deve ter feito isso também);
A base da minha alimentação foi misto por muitos dias;
Fiz amigos, mais que colegas;
Malhei para perder os 4kg, já perdi 2kg o/ (mas só fiz quando deu vontade, só pra constar).

“O que você faz quando
Ninguém te vê fazendo
Ou o que você queria fazer
Se ninguém pudesse te ver”
(Quatro Vezes Você,Capital Inicial)

Provavelmente fiz muito mais coisas do que as que lembrei agora. Algumas que parecem até insignificantes como a do elevador, outras preocupantes como não estudar, já que teoricamente vim aqui pra isso. Mas sempre achei que a vivência do intercambio e todas as experiências que ela comporta, mesmo as pequenas coisas valiam muito mais do que qualquer teoria ensinada em aula. Aliás, acho que o aprendizado nesse caso está mais presente fora das paredes da sala.
A chance de fazer só que dá vontade quando dá vontade é um luxo que eu posso me dar, justamente porque sei que é passageiro. É uma experiência agradável que tenho me permito e que tem me dado o outro lado da moeda.
Outro dia um amigo fez a analogia dessa experiência com a “terra do nunca”, eu não discuti a questão com ele porque não estava em condições de argumentar (o.O). Eu entendi a perspectiva dele, mas discordo porque na terra do nunca não se cresce. Se é praticamente imutável. E não é isso que a experiência do intercambio propõe.
O fato de levar a vida com menos compromisso não implica na falta de aprendizado. Pelo contrário. Por ser uma prática atípica para a maioria das pessoas, acrescenta uma outra forma de vivenciar o mundo.
Escape, férias prolongadas, chame como quiser, mas todo mundo deveria provar disso uma vez na vida. Quem dera todos pudessem.
Fuga!
Fugir a rotina, aos padrões, a tudo que lhe é imposto desde sempre. Ir de encontro com as regras. Provar outros sabores. Mas só de vez em quando, porque se fosse sempre também não teria graça.
E é por isso que não julgo como atitude inconseqüente uma vez que sei que não se trata de uma conduta rotineira. Um dia (jaja) a fantasia acaba e é hora de voltar para realidade.
E aí ficarão as lembranças dessa vida quase surreal, não fosse a certeza de que essas coisas realmente aconteceram.

“Sonífera Ilha!
Descansa meus olhos
Sossega minha boca
Me enche de luz
(Sonífera Ilha,Titãs)

Um pouco do clássico inspirador...


Uma descrição bem humorada do que é para muitos a vida de Erasmus

“Quem vai dizer tchau?”


Bem, o titulo acima também é uma referencia musical,como o post anterior. Já deu pra notar que minha escrita está sempre associada a alguma letra de música, mas isso é tema para outro post.
É precisamente o nome de uma música do meu querido e amado, salve, salve Nando Reis.
E para além de ilustrar e nomear meu post, é a espinha dorsal do tema “abordado” hoje.
Quem vai dizer tchau? Quem vai dar o primeiro passo e reconhecer que acabou? Mas antes disso, como a gente sabe que acabou?
E isso é válido pra tudo, para relações e situações. Eu passei por isso pelo menos duas vezes esse ano, mas já vivi certamente vários desses momentos ao longo da minha “vasta experiência” de 22 anos, haha.
As duas vezes que destaco foram bem importantes pra mim, porque se passaram com pessoas muito queridas e, portanto as relações eram estreitas (amizade e “rolo-meio-fixo” [?])
Eu, geniosa que sou, e as-vezes-quase-sempre-um-pouco-teimosa, insisto na relação até o ultimo minuto, até que tudo se desgaste e que não aja mais o que tentar.  É em parte sair de consciência tranqüila, dizendo a mim mesma que tentei tudo que pude e em parte o ego que nunca se dá por vencido.
Mas acho que só cheguei a essa conclusão do ego agora e percebi o quanto essa atitude pode ser burra às vezes. Eu continuo achando que devemos investir nas relações e tentar arrumar o que pudermos. Mas entendi que a vontade tem de partir dos dois lados. É o velho “quando um não quer, dois não brigam”.
E nessa de ficar brigando eu aprendi alguma coisa.  No caso da amiga, eu tentei e ela também tentou, mas a gente não concordou. E de tanto tentarmos em lados opostos a relação ficou nociva. Amargou para as duas e acabamos nos afastando por insustável que estava a convivência. Foi estranho, mas foi mais saudável. Acho que de qualquer forma não havia outra opção. Então nesse caso ninguém disse tchau.
Já na situação do “rolo-meio-fixo”, eu nunca soube se tinha acabado, mas eu sabia que tinha que dizer tchau. Sou adepta dos “se faz mais mal do que bem não vale a pena” e “só quero do meu lado quem me queira”.  Aliás, esse meu rolo era mesmo bem enrolado, nunca dava pra saber nada em relação a ele. Ele mesmo nunca sabia de nada. Então coube a mim tomar a decisão por mim. E tomei a decisão a meu favor, disse tchau.
Mas apesar de eu já ter passado por essas situações outras vezes, nos dois casos aconteceram coisas que ainda não tinham ocorrido.
Com a amiga, a porta ficou aberta. Eu não costumo fazer isso. Eu geralmente tranco e jogo a chave fora. Parece radical, e é. Mas sempre foi a minha defesa. Não queria correr o risco com quem já tinha me magoado. Mas já tem um tempo, graças a Deus, venho perdendo a pretensão de estar sempre certa e tentando uma segunda chance (a mim mesma também).


Agora, pra sempre
Foi embora
Mas eu nunca disse adeus”
(Eu Nunca Disse Adeus, Capital Inicial)


Foi bem isso, a gente não disse adeus e estamos num recomeço que tem caminhado bem. As duas tentando de novo, o que não deu certo da última vez, mas agora eu não irei até o desgaste, já fui. E ambas mudaram, adoram posições mais amenas. Uma não tenta mudar a outra e a outra não tenta impor a aceitação na uma.

 

Com o enrolado, ops! rolo, rsrs, eu tive a chance de dizer tchau. Claro que não foi um simples “tchau”, tava mais pra um “vá pra pqp! “. Isso sim condiz com a minha personalidade.

 

Eu nunca quis dizer tchau, como em outras situações com outras pessoas. Mas dessa vez eu consegui.  Eu consegui varrer o lixo pra fora e não pra baixo do tapete como eu fazia antes.

 

P.S : Sei que a analogia com lixo pode parecer um pouco depreciativa, mas a minha mãe tem um ditado ainda pior: “Quem com porco anda, lavagem come” o.O

 

P.S [2]: Haha, adoro a sabedoria popular da minha mãe. Acho que ta explicado de onde vem minha docilidade =D

 

 Bem, saindo dos P.S.s e voltando ao caso rolo. Eu sempre ficava com aquela sensação que eu tinha feito algo de errado ou que eu não tinha tentado o suficiente. Sabe, sempre trazendo a culpa pra mim quando na verdade ninguém tem culpa de nada. A gente vai até onde dá. Isso é válido para ambos a responsabilidade tem de ser dividida.

 

E esse é o termo, responsabilidade e não culpa. Porque senão fica parecendo que alguém fez algo muito grave e não era o caso. Tenho aprendido a deixar um tom a menos quando julgo relacionamentos, mas sem ser complacente com todas as atitudes do outro.

 

O fdp ( haha, sacanagem)... O rolo tinha todo o direito de não querer como eu (podia pelo menos ter avisado ¬¬), mas já que não avisou cabia a mim pular fora se não estava gostando, sem dar uma vítima, pobre-menina-indefesa-e-apaixonada...

 

E foi o que eu fiz.

 

Yes!!!!!!!! (momento orgulho de mim mesma, sou phoda, haha)

 

“Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não. “
(Relacionamentos, Arnaldo Jabor)       


To aprendendo com o mestre. Adoro essa crônica, tenho ela colada na porta do meu guarda-roupa, como trechos de musicas e afins que acho interessantes.
Será que eu bato muito na mesma tecla, para ter sempre que recorrer a essas orientações? Haha
Acho que já não é caso. Acho que já gravei algumas orientações e hoje recorro a elas mentalmente ANTES de repetir certas atitudes e NÃO MAIS DEPOIS de reforçar o erro.
 Então recapitulando:
*Dizer tchau pode ser realmente bem difícil, mas é algumas vezes é mais saudável.
*Deixar a porta aberta muitas vezes é o suficiente para arejar o ambiente antes de entrarmos de novo.


Mais do mesmo:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
(Fernando Pessoa)

"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."
(Martha Medeiros)


                                          Diz aí Nando: 

“Dia de luz, festa de sol”

O título acima é o início da música “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli e ela que me vem à mente todas as vezes que abro a janela e dou de cara com aquele solzão lindo.
Aliás, essa é minha maior alegria, abrir a janela às sete da manhã e ver a rua iluminada.  E olha que o tempo por aqui é bem instável. Semana passada mesmo foi inteirinha de chuva, de uma chuva infinita, digna de Braga.
Acho que nunca mencionei, mas em Braga chove como se não houvesse amanhã. No inverno era comum termos semanas seguidas de chuva, o que só agrava meu desgosto por essa estação.
Eu não tenho nada contra chuva, aliás até adoro aquele cheiro de asfalto molhado que fica durante uma chuva de verão, mas vale ressaltar : NO VERÃO.
Eu declaradamente odeio inverno e odeio não só pelo frio irritante que nada é capaz de aplacar por mais roupas que eu vista, pelos pés e mãos constantemente gelados, pelo vento frio no meu rosto... , mas principalmente porque no inverno ficamos mais retraídos, recolhido mesmo em casa e a chuva reforça isso.
É claro que as pessoas que vivem aqui já se habituaram ao clima e isso não lhes impede de seguirem a vida normalmente. Não impedia nem a mim que desconhecia o frio (mas já sabia que odiava). Quer dizer não impedia de sair, mas comprometeu muito a minha disposição para determinados afazes (claro, a culpa é do clima ¬¬).
Bem, mas é fato que o inverno deixa as pessoas mais frias (trocadilho desnecessário, mas não resisto =D) e é por essa e outras que amo o verão. E olha que ainda nem chegamos lá. Estamos na primavera por aqui, mas a temperatura já subiu e foi o suficiente para mudar meu humor.
No dia que deu inicio oficial da nova estação, acho que fez uns 23 ºC e eu fiquei irritantemente feliz. A temperatura aumentou durante a semana e chegou a fazer 28°C. Nossa, eu vibrei!
Pobre Maiara (colega-anjo de quarto)... teve que me ouvir falar sobre o tempo o dia todo, todos os dias.
Eu acordava pela manha e já sintonizava a rádio pra ouvir a previsão do tempo. No dia que eu não consegui ouvir, corri para o computador, mas não sai de casa antes de confirmar mais um dia de sol. Já estava pronta para atuar como garota do tempo.
E isso não é exagero, eu realmente adoro calor. As pessoas que moram em Palmas, a cidade onde eu cursava a faculdade até vir para Portugal sempre disseram que adoravam o lugar, exceto pelo calor excessivo, que já atingiu 50ºC, reza a lenda. (A Maiara disse que o pai tem uma foto). Mas pra mim isso nunca foi problema. Claro que eu achava o ambiente quente, mas perfeitamente suportável.
Eu sempre disse que morava no lugar certo. Talvez porque eu sempre tenha morado em lugares quentes. Se em Palmas a gente torra de baixo do Sol, no Pará, onde eu nasci e morei até os 19 anos, a gente cozinha a favor. O lugar além de quente é úmido.
A minha relação com o calor é saudável para mim e para os que me rodeiam, rsrs. Eu fico mais disposta, mais agradável. Acho que isso é válido para quase todo mundo. Mas para mim é fundamental. No verão eu não ofereço risco a ninguém, provocado pelo meu mal humor matinal ( pobre-santa Maiara...).
E o verão me traz essas lembranças... E quanta falta eu senti...
... de cabelo molhado que pode secar naturalmente ao longo das horas...
... de pé descalço no chão frio...
... de não ter que usar meias o tempo todo...
... de tomar sorvete (eu sei que dá pra tomar no inverno, mas no verão é mais gostoso)...
... do cheiro de asfalto molhado depois da chuva ( já referido acima)...
... de não ter que usar tanta roupa..( esse item é o meu favorito, haha. Não só por sentir mais liberdade, mas também porque eu morria de preguiça de ter que tirar um monte de coisas pra colocar outro monte de coisas ¬¬ )...
... banho gelado... ( no Norte do Brasil isso é bem comum, até para bebês)...
... dormi só com um lençol fino...
... chinelos... =D
... sunglasses... 8)
... sol ao acordar...
... sol até mais tarde...
... mais gente nas ruas...
... biquíni -> praia-> bronzeado -> marquinha de biquíni ( esse não é muito válido pra mim, mas eu acho lindo)...
... aquele cansaçozinho que dá depois de andar o dia todo sob calor...
E o top 1 dos meus itens...
...barulhinho de ventilador soprando aquele ventinho quente no rosto o/.
Esse pra mim é o melhor disparado!
 Odeio ar condicionado porque fico com a garganta seca e depois de uns minutos já estou com frio, rsrs.  E essa relação com o ventilador é tão forte que quando dá uma esfriada (tipo, 25°C, em Palmas, haha) eu ligo o ventilador virado para parede só pra poder ouvir o barulhinho da hélice rodando. É, cada louco com sua mania =D.
E como eu fico aqui no máximo até começo de agosto, ou seja, até o verão =D, não sentirei mais saudades do meu querido calor e nem viverei de lembranças.
Afinal, na volta pra casa, Palmas estará me esperando com a temporada mais quente do ano (Agosto-setembro) e seus habituais 40°C, quiçá 50ºC.
O Barquinho, delícia de música