Beijo sem

Eu não sou mais
Quem você
Deixou
Amor (de ver)


Vou a lapa
Decotada
Bebo todas (viro outras)
Beijo bem


Madrugada
Sou da lira


Manhãzinha
De ninguém


Noite alta
É meu dia




E a orgia
É meu bem


Eu não sou mais
Quem você
Deixou
Amor (de ver)

Um triângulo, uma zabumba, um coração forrozeiro




Não sei dizer como aprendi a dançar forró. Romantizaria, foi instintivo.  Aqui se tem um genuíno caso de amor.


É quase como um sinal, uma deixa, como uma espécie de botãozinho que aciona o corpo. Basta a primeira batida do triângulo, pra ver despontar um sorriso daqueles de orelha a orelha, instantaneamente acompanhado de um balançar frenético do pé .


E é tamanha a alegria que esse som desperta ... O coração se enche...uma corrente de ar entra pelos pulmões, expande o peito, dá 
um fio na barriga e até arrepia.

E o som vai se complementando com a introdução da sanfona e da zabumba encerrando o triângulo amoroso


Daí o corpo não aguenta, fica numa querência, quer danar... e  facim vai  cedendo ao chamego do  pé de serra.


É no giro que roda a saia da moça, é no bate coxa, no arrasta chinelo, no levanta poeira, na cafungada no cangote que o suor se confunde de tanto que os corpos se ajuntam.


O galpão vai esquentando, o suor vai escorrendo, o cabelo vai colado na pele preguenta. E alguém liga?


Categoricamente: quem não tem apreço pelo forró!


É pra dar calo nos pés e não sentir mais nem os joelhos. É pra ficar com sede do sal que saboriza a pele.


Deixa molhar a roupa com essa água que lava a alma, sai pelos poros e banha o corpo...


Deixa o menino te juntar, mexe mansinho, sente a respiração, divide o rebolado, se deixa levar pela sensualidade do movimento...
Ou se quiser abre a roda, cria espaço no salão apertado, vai se movendo entre a gente.
Tem coisa mais gostosa?
Tem não!
Ê lindeza!


Outro dia fui ao teatro assistir o espetáculo “Acorda Zé, a comadre tá de pé”, uma representação de contos criados a partir de personagens do imaginário popular brasileiro.  
Como admiradora confessa que sou da minha cultura, estava completamente tomada pela peça.


Naquele dia eu já tinha ganhado a noite. Mas não bastasse o meu contentamento, para finalizar o espetáculo, os atores, trocados e devidamente caracterizados com chinelos e vestes de chita, entraram empunhados cada um de um instrumento, reproduzindo meu gênero musical favorito. E adivinha quem se precipitou?


O triângulo!


Já fazia algum tempo que não nos encontrávamos. Não contive as lágrimas, mas disfarcei.  O amigo, sentado a meu lado, me olhou e deu um sorriso como quem compreendesse minha emoção sincera e legitimasse minha reação pouco esperada.



A moça bonita do triangulo satisfez-se com a espectadora apaixonada, mas eu preferi a atenção do tocador de pandeiro que me fez lembrar um certo tocador de zabumba que assisti em Portugal. Moço alto, esguio, de dreads, denunciava minha queda pelos bichos-grilos. De Floripa, acho que era surfista também. 

Desde então nenhuma zabumba me passa despercebida. Graças ao zabumbeiro , o espaço que era só do triângulo teve que achar lugar para mais um instrumento nesse coração forrozeiro.




       Em "Beijo matador" a presença do triângulo é  facilmente percebida

                          "Eu fui dançar um baile na casa da Gabriela
                                       Nunca vi coisa tão boa
                                       Foi na base da chinela"

Hoje tirei sua foto do mural

                                                                            

"Eu morro ontem
 Nasço amanhã
 Ando onde há espaço
 Meu tempo é quando"
(Poética IVinicius de Moraes) 


Ontem consegui terminar aquele livro, cuja leitura só se prolongava. Não porque ele fosse desinteressante, muito pelo contrário. Às vezes até pensava: ”quando terei outra leitura tão instigante?”. Mas porque o momento não despertava desejo pela leitura. 
Eu não desejava a quietude e o isolamento necessários para concentração que dispenso aos livros.
Só depois de quase dois meses alterei o local onde moro no perfil de uma rede social. Não por desatenção ou esquecimento. Mas porque eu ainda me sentia lá. Porque o aqui ainda estava se “resignificando” e era com lá que me sentia confortável.

Hoje eu resolvi tirar sua foto do mural porque somente agora, depois de quase dois anos eu senti que ela deveria sair dali. Não porque eu tenha te esquecido ou te substituído, mas porque eu precisava dar espaço para novas fotos. Não, ninguém tomou o seu lugar. Mesmo sem uma imagem que me lembre diariamente o seu rosto, mais que isso, sua significância na minha vida, você está presente de uma forma muito mais nítida e persistente, na minha memória.
E isso não tem nada a ver com o fato de você ainda virar a cara pra mim e dispensar contato direto, o que denuncia que você não me é indiferente e que de alguma forma eu ainda estou presente na sua vida, mesmo que seja na sua raiva ou magoa.
Não é por isso, não é por isso mesmo. Porque desde que nos afastamos você optou por esse comportamento, e sua foto permaneceu no meu mural, aquele pouco acima da minha cama, onde eu relembro as pessoas que me são importantes.
Você não deixou de ser importante, você apenas não me quis mais na sua vida e eu parei de tentar entrar nela novamente. Eu achei que o tempo e a distância fariam você ver as coisas de outro modo. Talvez tenham feito só não da maneira que eu esperava. Então eu entendi que esse tempo tinha feito algo por mim também. Tinha me feito perceber que não tem que ser você a me deixar entrar, mas talvez eu é que tenha que parar de esperar a porta abrir. E a solução pra isso não é forçar a entrada, é simplesmente sair.
Por um respeito crescente que eu tenho alimentado por mim, eu tenho permitido que as situações levem o tempo que necessitarem para serem resolvidas (dentro de mim). Eu aprendi a me dar esse tempo, tempo esse que não é de ninguém, nem meu. Porque nem eu ou qualquer outra pessoa tem esse controle.
Não se trata do que os outros esperam de mim, de como eles esperam que eu haja e muito menos da pressão que eu fizer sobre mim mesma para mudar a situação. As coisas vão levar o tempo que tiverem que levar para serem alteradas. Isso não quer dizer que eu aceite passivamente o desencadeamento dos acontecimentos, quer dizer apenas que eu farei o que estiver ao meu alcance, mas saberei aceitar o que independe de mim.
Também só agora consegui colocar novas fotos no espaço que havia ficado vazio por um tempo. Não por falta de tempo para revelá-las, mas for falta de vontade em revisitar minha saudade.
Não era só sua imagem que estava ausente ao meu lado na cama. Eram as memórias que ainda estavam muito vivas em mim.
Desde a minha volta, não havia sequer recolocado as fotos antigas no lugar, aquelas que me haviam feito companhia enquanto estava longe.
Eu estava esperando ficar a vontade com essa vontade. Eu esperava ter vontade.
Então eu esperei. Eu esperaria o tempo que o coração pedisse. Ele levou quase dois anos para deixar você desocupar aquele espaço de 10x15 cm. E quando eu quis repor as memórias no lugar, a sua foto saiu, dando espaço para novas fotos no mural. Só daí eu pude dar passagem as nossas vidas que seguiam.

                            "Ainda assim acredito
                           Ser possível reunirmo-nos
                           Tempo tempo tempo tempo
                           Num outro nível de vínculo
                           Tempo tempo tempo tempo..."

Era uma vez dezoito cafés...


Ontem enquanto eu tentava dormir me vinham a mente umas frases bem boas para a construção de um novo post, mas o meu cansaço  me lembrava que hoje eu levantaria cedo e que não era um bom negócio sair da cama  para registrar aquelas idéias.
Resultado: passei parte da tarde de hoje me remoendo porque não lembrava uma linha, aliás, não lembrava nem do que se tratava.
Ás cinco saí para minha caminhada habitual e apesar do meu cansaço nos últimos dias, hoje até que estava bem disposta. O que não durou muito tempo...
Um 3#$%&o de um motorista de ônibus resolveu passar com seu pequeno veículo numa poça gigantesca espirrando água suja em todo mundo que estava ali. Entenda-se: EU!
Mentalmente eu o xinguei das coisas mais cabeludas, mas só mentalmente, afinal eu sou uma ladie ( e nem eram coisas tão cabeludas assim).
O fato é que para canalizar aquela puta raiva, a caminhada virou corrida. E enquanto eu corria um tanto molhada e provavelmente descabelada eis que ouço uma senhora buzinada, mas daquelas clássicas, seguida de um mais clássico ainda “opaaa!”
Bazinga! Eu lembrei sobre o que eu queria escrever. Era justamente sobre essa abordagem tão sutil dos brasileiros.
E parece que uma coisa atrai a outra. Depois da buzinada veio uma seqüência de “que saúde”, “oh lá em casa” e todo aquele repertório vencido que a gente já conhece.

De rilux ao pau de arara, eu tava agradando a todos os gostos. Um motoqueiro com toda sua discrição seguiu boa parte do trajeto olhando pra trás. E eu numa torcida danada pra que ele caísse, só pra poder dar umas boas risadas. ( Quão medíocre e humano tem de ser o ser pra se vangloriar com essas ninharias?)
Bom, mas o que isso tem a ver com a história dos cafés?
Reza a lenda entre uns brasileiros habitantes em Portugal, que para que um português atinja seus objetivos como uma rapariga, leva-se em torno de 18 cafezinhos, ou seja, 18 encontros, aparentemente desinteressados (aham, tá!).

Talvez isso explique porque é tão raro ver brasileiros com portuguesas e o inverso não seja verdadeiro.
Nossos moçoilos acostumados com as máximas do “dá ou desce”, “já é ou já era” e por ai vai, não têm muita paciência e muito menos interesse em empenhar tanto esforço por um beijo (é, porque até chegar nos finalmentes, bota café na conta). 



Bom, eu que bebo dessa mesma fonte desde sempre, pude justamente, embasada em experiências próprias, refutar essa tese.
Como diziam alguns : “nem de café eu gosto!”
A fama de lentos que muitas brasileiras atribuem aos portugueses reside na prática do galanteio que ainda resiste naquelas bandas. Mandar mensagens, ligar, insistir também fazem parte do pacote. Numa cultura aparentemente conservadora, a iniciativa ainda é do homem.
Mas para as intercambistas desinteressadas em prolongar o desfecho, investir no ritual não parece um bom negocio.
É que em Portugal ainda não entrou em desuso um ”Oi, tudo bem, qual seu nome?”. Estabelecer minimamente uma conversa antes do contato físico ainda é uma prática. Mas não se enganem meninas, a fórmula é a mesma só muda a aplicação.
Essa abordagem menos agressiva não significa de modo algum a ausência de segundas intenções (yes!) e ao mínimo sinal eles captam a vossa mensagem. Ok, nem sempre o entendimento é tão rápido e os sinais são assim tão mínimos (às vezes tem que ser do tipo “super diretas”). O fato é que os rapazes aprendem rápido o caminho das pedras ;).
E sinceramente esse papo que os “Manueis” são lentos é super furado. Alguns são até bem abusados .
A brasileira que se incomoda com aquele sonoro “gostosaaaaaaaaaa” não deve revelar sua nacionalidade, porque para muitos bigodudos os vocábulos são sinônimos.
E aquele irritante psiu do brasileiro? Os portugueses têm um tosquíssimo beijinho ¬¬.  É, eles mandam beijinhos, como se a gente fosse um bando de éguas. Sério, a associação é inevitável na minha cabeça. Enfim, tem abordagem ruim aqui e em Portugal, claro.



Mas essa desdenha que a gente insiste em manter por essas ridículas demonstrações de interesse do sexo oposto, leia-se: cantadas mal elaboradas/ pouquíssimo criativas, muitas vezes só esconde o nosso ego sorridente que se diverte quando essas bobagens não são grosseiras.

Voltando a desmistificação do legado do cafezinho é bom reforçar que nem todo tuga é lento e nem toda tuga é difícil, e muito menos, nem todo brasileiro é direto e nem toda brasileira é fácil.
E pra mim cafezinho ou caipirinha estão valendo, desde que não fique nisso por 18 vezes, coisa que no meu caso não passa de história.

No prazer da própria companhia



Eu sei que o título sugeri uma perspectiva individualista, mas longe da autora que os fala levantar a bandeira da solidão.
Tem uma crônica do Jabor que gosto muito, chamada “Relacionamentos”, que inclusive já citei uma outra vez, em que ele pergunta: Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?”. Ele está se referindo as pessoas que pulam de relação em relação, sem intervalo. Não é bem sobre isso que quero falar, mas recontextualizei a frase porque gosto muito desse pensamento.
Até os 19 anos, eu morei com a minha família, nunca tinha mudado nem de casa na mesma rua. Meus pais achavam que eu ia definhar de tristeza quando me mudasse pra Palmas, onde seria eu e eu mesma. Isso não aconteceu, pelo contrário.
Dois anos depois eu tive a oportunidade de viver a experiência oposta: morar com muita gente. Daí fui eu que questionei minha capacidade de adaptação de tão acostumada que estava a ter o meu espaço.
Bem, a convivência com outras pessoas super funcionou. Durante quase 1 ano eu dividi quarto, banheiro, cozinha, segredos, choro, raiva e tudo que tudo que a convivência partilhada possibilita. 
E nessa espécie de pingue pongue que tem sido a minha vida, aqui estou eu de novo sozinha, no espaço de um quarto-cozinha que muito bem me cabe.
Ficar sozinha nunca foi um problema.  Eu sempre gostei de ter tempo para as minhas coisas. De poder curtir meus momentos sem ficar preocupada se estou desagradando outra pessoa. Ok, até aqui nenhuma novidade, esse é o lema de quem está só.
O que eu quero dizer é que não engrosso o coro dos solitários, até porque eu não me sinto assim. Só acho que pode ser extremante prazeroso desfrutar da própria companhia.

Ontem mesmo eu fiz isso. Tinha um filme francês em cartaz que eu estava super a fim de ver, mas a sessão era as 14h00, numa segunda - feira. Ou seja, bons motivos para que o meu convite fosse recusado. Como eu estava bem interessada no filme e pouco interessada em desculpas, atrasos e questionamentos sobre a minha escolha, suprimi convites e fui sozinha.

Cheguei 15 minutos antes do inicio do filme. Com calma comprei meu bilhete e entrei na sala que como era de se supor não estava cheia, mas tinha mais gente do que eu imaginava.
Escolhi a poltrona quase na ultima fila, bem no meio, onde eu tinha a sensação de que a tela era toda minha. Muito a vontade me reclinei na cadeira e fiquei curtindo as músicas de fundo que rolavam enquanto o filme não começa.


Quando Audrey Tautou finalmente entrou em cena com aquele francês de que eu andava saudosa, a minha alma sorriu e tive a certeza de que teria uma tarde linda na companhia daqueles estranhos distribuídos espaçadamente entre as fileiras.





Ah eu adoro me fazer esses dengos...

Coisas rotineiras que podem ganhar um sabor adocicado, do tipo acender um incenso e colocar uma musica baixinha (eu vou no intimismo de  Camelo) enquanto tomo aquele banho demorado que lava a alma; Fechar todas as cortinas, sem deixar que nenhum fresta de luz penetre, ir pra baixo das cobertas e assistir minha série favorita no meio da tarde; Pipoca/brigadeiro em dia de chuva; Chocolate e maquiagem a qualquer hora que bater tristeza.
Eu me conquisto diariamente, um verdadeiro romance narcizico, hehe.

Não se engane, eu sou mesmo uma eterna apaixonada e por isso preciso desse encantamento diário, mesmo que esteja sozinha. De forma alguma acho companhia dispensável. Pelo contrário, as coisas ganham outras cores quando divididas e mesmo morando só, eu estou sempre entre os amigos que impedem a solidão uns dos outros.Mas estar sozinho não significa solidão ou individualismo e só mais uma opção de companhia, a própria.

“É uma canção de mágoa...”


Foi o que você disse.



E num pedido de desculpa, entoando a canção, a letra não poderia ter feito mais sentido. Como escolhida a dedo, muito provavelmente tenha sido intencional, cada palavra ecoava  em mim como aquela mágoa que você percebia na música.
Voz e violão, num falso sotaque brasileiro me atravessavam como teu modo de olhar dissimuladamente arrependido. Talvez não dissimulado, mas desconfiado.
Era mesmo uma música de mágoa que fazia com que eu sentisse ainda mais viva a minha. Mas diferente da raiva que essa escolha poderia provocar, intencionalmente ou não, você acertou.
Tenho aqui uns pensamentos maldosos que me fazem crer que foste astuto ao meter o dedo na ferida, quase como se soubesse desse meu gosto pela dor escancarada. E irreversivelmente eu aceitei tua intenção de desculpa já sem resistência.
Acho que minha percepção ainda não tinha dado vez a essa letra. Nunca tinha atentado para o sentido daquelas palavras. Até aquele momento elas não tinham feito sentido pra mim.
Mas hoje quando escuto as teclas do piano  ou as cordas do violão introduzindo a música, sou remetida aquela cena, a sua feição e a minha sensação. Aquele gosto azedo de tristeza, de algo que havia azedado em nós e que o nó na garganta não deixava engolir e inevitavelmente me recordo da tua constatação óbvia, a qual eu não tinha percebido. Desde então essa tem sido mesmo uma canção de mágoa.


O que a nega maluca tem a ver com a história?



Quando a saudade consegue ser maior que todo o esforço pra se distanciar, pra afastar os pensamentos (se é que é possível)... Quando o coração fica apertado e os olhos transbordam as lágrimas... Quando todas as suas tentativas de direcionar sua atenção pra qualquer outro lugar, o mais distante possível, falham... Quando livro, filme conversa não detêm a sua concentração, porque apesar de tooooooooooooooodo o esforço você simplesmente não consegue esquecer, porque afinal você não quer esquecer, porque você sabe que toda e qualquer lembrança é maravilhosa e na realidade mesmo, você não quer que elas se percam, você quer preservar cada memória porque também sabe que lá na frente elas vão te trazer aquela sensação reconfortante de que tudo valeu... Quando esperar já não é uma escolha realista, mas a única opção que resta... Quando você sabe que negar a atual situação não ajuda... Quando você resiste às mudanças... Quando você tenta todas as mudanças... Quando você tenta passar correndo por esse momento... Quando você “grita”: “Stop! Não quero mais brincar disso”... Quando você quer desligar o botão... Quando você respira fundo e espera de novo e invoca pela paciência... Quando você já sabe e repete pra si mesma que vai passar... Quando você revê fotos... Quando você evita fotos... Quando tenta se reacostumar com aquilo que não te satisfaz tentado se convencer de que negar a situação é criancice... Quando você se cansa de tentar tudo porque não adianta, todas essas reações fazem parte do processo e não há como “pular” a fase, você vai ter que passar por isso... Então aí você chora, se deixa chorar... Assim sem pressa, sem culpa.
Deixa ir, deixa desafogar e pede dentro de si pra não esquecer, mas pra mover esse sentimento pra algum lugar que te deixe respirar, que te deixe dormir, que te deixe comer, que te deixe querer outras coisas, que te deixe... porque no fundo é você que quer deixar ir...

                                     ************************************

Sinceramente eu quero muito deixar ir, quero muito pular essa parte do processo, eu quero muito ficar numa boa de novo com as coisas que me deixavam numa boa, mas não tá dando sabe? E se conformar com isso é tentar retroceder, o que é impossível.
É impossível ser o que se foi, porque já foi! E é ridículo porque isso é querer assumir posturas que já não se adequam mais.
É rejeitar a mudança e desprezar toda a experiência vivida.
É passar por essa vivência sem sentir que nada mudou. Voltar pra aquilo que era teu mundo antes e achar que vai ser tudo igual. Tentar calar esse crescimento que reverbera dentro de si. Seria ingenuidade acreditar nisso, seria lastimável esperar por isso.
É como diz aquela música do Nando: “Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...”, “Eu não tenho mais cara que eu tinha... no espelho essa cara já não é minha...”. Não dá pra esperar caber no mesmo formato e é realmente muito forçoso tentar isso, principalmente quando se ansiou por toda essa mudança. 
É meio confuso até pra explicar, porque sou eu tentando entender o crescimento ao mesmo tempo em que tento entrar nas roupas apertadas, sentindo toda essa falta de alguma de um monte de coisa. Além de ter que aceitar que esse momento passou, quando ainda não passou dentro de mim.
Outro dia estava comendo um pedaço de nega maluca (só pra lembrar eu sou chocolatra) e lá no finalzinho, quase no ultimo pedacinho me deu uma melancolia.
De repente uma das coisas mais poderosas sobre meu estado de espírito não estava sendo capaz de suprir a ausência de qualquer coisa, pelo contrário, acho até que foi ela a culpada.
Aquela delícia me trouxe uma lembrança de algo que eu também gostava muito. E ela estava ali, acabando, no último pedacinho. Quase nem consigo chegar ao final da nega.
Pois é, meus sentimentos agora são confusos assim. Eu mal consigo organizar as palavras, as idéias nesse texto, também nem tenho vontade. 


                                Achei uma graça, tive que postar ^^ 
                                ( para ampliar clique na imagem)


Agora será verão pra sempre

Oi, tudo bem?
Tudo, e com você?
Ótimo! Como está a correr o seu verão?
...


E haja calor! E haja suar! E haja chuva!
Chuva? Que chuva?
Chuva de verão onde o verão permite chuva.
No Brasil, nada nunca é uniforme. Portanto enquanto algumas cidades estão debaixo d’água outras são notícia pela falta dela. E lá vem seca e lá vem queimada e lá vem reclamação. Eu mesma não consigo transitar de um cômodo a outro da casa sem transpirar. Bendito seja o ar condicionado que não resolve por completo, mas melhora a situação.
Mas eu reclamo? Nunca!!! Nunquinha da Silva!!!
Todas as vezes que eu cogito uma reclamação sou tomada pelo mesmo pensamento: “Você quis muito isso!”
Quis mesmo e como quis!
Quis todos os dias às oito quando eu tinha que levantar com aquela chuva infinita durante as manhãs de inverno e para além delas.
Quis todas as vezes que tive que tomar chazinhos (não gosto de chá) pra esquentar o corpo e aliviar a garganta.
Quis todas as vezes que dormi encolhida porque meu pijama de inverno, três cobertas e mais um aquecedor não eram suficientes para aplacar o meu frio.
Enfim, minha paixão pelo calor é declarada e dentre as coisas que me fazem feliz por ter voltado essa é uma delas. Dias inteiramente quentes no Norte do país, onde eu moro.
Mas esse post não é exatamente sobre clima. 
Sabe quando a gente fica sem assunto e acaba falando sobre o tempo, tipo: “Tá calor hoje né?” Pois é, na verdade eu não fiquei sem assunto, eu só não estava sabendo como começar.
Como falar da volta sem soar essa tristeza que às vezes é confundida com arrogância? Porque a readaptação não é fácil e essa tristeza não é ingratidão (tá mãe?) nem desdém pelo lugar onde se vive. É só esse monte saudade pelo que ficou lá.
Mas pra gente não ficar nessa eterna ladainha de saudade e nem eu ser confundida como uma vira-casaca, hoje eu vou falar de reencontro.
É, reencontro com essas partes de mim que ficaram por aqui. As coisas pelas quais eu nutria aquele saudosismo e que alimentavam meu patriotismo.
Tudo que um dia foi lembrança hoje são argumentos que me ajudam nessa fase de adaptação. E o que tem nesse reencontro?
Tem aquele sentar com mãe pra ver a novela e perder boa parte dela enquanto ela comenta os acontecimentos do capítulo anterior. 
Tem aquela chuva que em vez de refrescar deixa o tempo mais abafado, com aquele cheiro de asfalto molhado que se mistura com a grama que circunda a casa.
Tem aquele copão de suco natural de laranja bem gelado naquela tarde de domingo durante um passeio na ferinha.
Tem a caipirinha com açúcar cristal e gelo em cubo, feita diretamente no seu copo. (no açúcar mascavo, no gelo triturado, no ponche de cachaça).
Tem aquele cheiro de manga que te acompanha por toda a avenida durante os meses de chuva, que são tidos como o “inverno nortista”.
Tem aquele se perder (no tempo) enquanto passeia pela sessão de livros e discos brasileiros de uma loja.
Tem “minha gente” falando a “minha fala” que pode ser mesmo bem diferente do meu jeito de falar.
Tem o vendedor de pamonha passando todo dia na frente minha casa.
Tem aquele pão de queijo na cantina da facul com aquele cafezinho passado no coador.
Têm todas as caras, as cores, os cheiros...
Tem aquela conversa iniciada com um estranho na fila do banco, no assento de ônibus...
Tem o tocar sem assustar entre gente que não tem medo de gente.  Lugar onde beijo e abraço não são coisas invasivas.
Tem comida mais temperada, onde o salgado é mais salgado e o doce é mais doce.
Tem água de coco a venda nas calçadas .
Tem açaí “puro” que não é vitamina. Que se toma com açúcar e/ou farinha sem frutas e granola.
Tem peixe de água-doce, assado na folha de bananeira.
Tem aquele sol que acorda (com) a gente às seis da manhã e nos deixa naquele finzinho de tarde, lá pelas seis também.
Então em resposta a pergunta feita acima: o meu verão tem corrido como muitos outros dias da minha vida, cheio dessas pequenas coisas, nessa forma de reencontro. Esse verão infinito do Norte do meu país, com um sol que parece nunca mais querer ir embora, (sem dúvida umas das coisas que eu mais sentia falta) e que agora (outra vez) vai ser “pra sempre”.

"Eu voltei, agora pra ficar,
Porque aqui, aqui é o meu lugar
Eu voltei, pras coisas que eu deixei,
Eu voltei, eu voltei"
(O Portão, na versão Titãs pq eu gosto mais) 


Será? Acho que pelo menos por um tempo...
Mas confesso que ando mais tendenciosa  pelo embalo da Elba...

"Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade"
( De volta pro aconchego, Elba Ramalho)

Para não dizer que não falei de saudade



Ontem eu sonhei com Veneza. Veneza no verão. E acordei pensando em como a beleza desse lugar deveria ser ainda mais surreal nessa estação.
A minha passagem por esse lugar foi num dia chuvoso de inverno com direito a “enchente”. Nem eu nem os meus três colegas de viagem estávamos preparados. Sem galochas ou guarda-chuvas ficamos ensopados e com frio, mas nem isso foi suficiente para quebrar o encanto desse lugar.
Foi um sonho no meio tarde, depois que eu adormeci no sofá enquanto assistia mais uma série qualquer no note. Mas as noites não são diferentes. Basta dormir para sonhar e depois acordar com aquela sensação estranha de realidade.
Por essas reações eu realmente não esperava. Nem passava pela minha cabeça que a falta fosse ser tamanha a ponto do meu subconsciente se manifestar diariamente.
Eu estava pronta para lidar com o que eu tinha imaginado, com a falta que eu tinha suposto. Por que afinal de contas era natural (e esperado) sentir falta da rotina que tinha em Braga, das viagens, das amizades, do Xuxu, enfim de tudo que eu vivi durante quase um ano como intercambista. E para essa falta eu já estava preparada. Na minha cabecinha eu sentiria falta de tudo isso durante os primeiros dias, talvez nos primeiros 2 meses, mas o que nem não imaginava era sentir tamanha saudade. Por que saudade sim, saudade é algo maior que te sufoca, que te consome, que anda com você pra onde você for. É, parece clichê. Deve ser mesmo, mas eu não tenho problema algum com lugar comum.
E saudade pra mim é tudo isso, chega a ser físico. Doe, doe fisicamente. Me dá dor de cabeça, me causa ansiedade e deixa meus ombros tensos e minhas pernas tremulas naquele balançar constante. Me causa até enjôo e claro, muita vontade de chorar.
Sorte minha que consigo chorar e aliviar um pouco dessa tensão. Quer ver sofrimento quando o sentimento fica ali preso no peito, sufocando, prendendo a respiração. Ah não, isso não é pra mim, não mesmo. Olha eu aqui depois de chorar algumas vezes escrevendo esse texto com carga altamente dramática pra ver se tiro um pouco dessa angustia de dentro de mim. Eu e a minha necessidade de expulsar os sentimentos...
Eu tenho uma relação recorrente com saudade. Já senti muita saudade algumas vezes e ainda não ficou mais fácil. Acho que nunca fica. Só a forma como lidamos é que muda.
Pessoas que eu queria muito que ficassem já foram e eu já tive que ir mesmo querendo muito ficar. E o sentimento não é diferente. Essa história de que pra quem fica é sempre mais difícil, não me convence mais. Eu já fui e eu já fiquei e a saudade tem sempre a mesma proporção, é tamanho extra G. Dói pra caramba nos dois casos.
Me mata  essa coisa de não poder ter vivido, de ficar naquela “poxa, se a gente tivesse mais tempo”, “ficarão as boas lembranças”. Ta ok, nem tudo é como a gente quer e encarar dessa forma é mesmo infantil. Mas pra mim é realmente um esforço tremendo lidar com essa situação. Aceitar que eu não pude esgotar minhas possibilidades, que eu tive que sair no melhor da festa. Porra, que saco! E deve se um saco mesmo pra todo mundo que passa por isso. Mas a gente tem que ser grande né, e pra não ficar nesse ciclo a vida inteira, sempre reclamando do que não pode ser é que eu escreve e desafabo um pouco desse inconformismo que precisa de argumento diários pra entende que a situação é essa e que não dá pra fazer muita coisa. Então o pouco que dá eu vou fazendo. Entenda-se: chorar quando der vontade e escrever quantas vezes forem necessárias sobre essa saudade.

    Me escreva uma carta sem remetente
    Só o necessário e se está contente
   Tente lembrar quais eram os planos
   Se nada mudou com o passar dos anos
 

  Não se admire se um dia
  Um beija-flor invadir
  A porta da tua casa
  Te der um beijo e partir
  Fui eu que mandei o beijo
  Que é pra matar meu desejo
  Faz tempo que eu não te vejo
  Ai que saudade de ocê
 


Te chamo Saudade


Saudade* é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música* popular, "saudade", só conhecida em galego e português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor."
*Saudade: Você
*Música: Você

Te chamo saudade porque assim “se apresenta”, porque assim significa. Se apresenta em forma de saudade e significa saudade quando se vai. Quando vai longe. Longe de mim.
É saudade quando penso em você. É saudade quando escuto uma música.É saudades nos beijos. Beijos com gosto de saudade. Tua fala fala saudade porque eu escuto saudade. Olho pra você e vejo saudade. Meus olhos de saudade. Eu ou você? Já nem sei quem é saudade...
Você saudade. Eu saudosa. Minha saudade...

Saudade antes como a música do Caetano:

“Antes de você chegar 
era tudo saudade “
(Sou Você,Caetano Veloso)

Saudade agora enquanto escrevo esse texto.

E depois? É só o que vai ser, é só o que vai ficar.

Saudade, saudade, saudade...repetidas vezes saudade.
Um mar de saudade como eu costumo brincar. Mar para expressar a dimensão porque na verdade é um oceano.Um oceano de distância.

“Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colônia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações. Provém do latim "solitáte", solidão”

O caminho agora é inverso. É o sentimento de uma brasileira em sua terra, longe da terra do outro, longe da sua saudade. A saudade de depois.
É saudade assim grande, exagerada, precipitada como a autora que vos escreve. Não se assuste. É só meu tamanho pedindo pra sair.  Sou só eu como você conhece querendo falar. Querendo tirar de dentro tudo que não foi expresso. Não espero mais que saudade.
 “Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A gênese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana*.”

*Marítima lusitana: mar de saudade do luso

Viu? Você + saudade em tudo. Tudo que leio. Tudo que escrevo.
Mas a saudade não é necessariamente de quem espera. Quem parte leva um peito cheio desse sentimento tão fácil de sentir e tão difícil de explicar. E eu ainda nem parti* e já antecipo essa “falta”, essa “perda”, essa “solidão” e todas as palavras associadas a você, minha saudade.

* O texto começou a ser redigido antes do meu retorno ao Brasil.

E eu não imaginaria esse encontro comigo mesma em terras tão distantes. Porque assim como te escrevi no cartão, com você eu me aproximei dos meus gostos, gostos esses que pude partilhar contigo.
E quanta saudade você me causa...
Tua herança?Deixaste em mim essa tua vontade de conhecer, essa tua inquietude por descobrir e essa tua disposição por viver, perseguir o novo.  Em contrapartida essa calmaria que me tranqulizava e irritava ao mesmo tempo.
Contigo pratiquei o exercício diário da paciência que pra mim parecia mais um teste de resistência. Contigo optei por aceitar (algo muito difícil pra mim) o teu tempo. Porque para ti nada era precipitação, nada além da tua vontade, nada que não quisesse, quando não quisesse. O que sempre me deixava em dúvida porque eu não sabia se isso era excesso de individualismo ou respeito para consigo mesmo. Acho que era um pouco dos dois.
Se por um lado eu admirava essa capacidade de dizer não para as coisas que não lhe agradavam fazer (porque eu tenho muito disso) por outro me chateava o que pra mim era a tua incapacidade em ceder, a tua incapacidade de troca, a tua incapacidade de perceber essas minhas vontades gritantes. Mas ainda assim eu quis ficar. Apesar de toda a raiva, de toda a ansiedade, de todo o inconformismo e auto crítica que você despertava em mim mesma.
Por muitas vezes eu raciocinei em agir de modo contrário, do modo que eu acreditava ser acertado ou menos angustiante. Mas a verdade é que sobre assuntos “do coração” eu dou a voz ao coração. E assim eu ficava e assim eu quis ficar contigo a cada dia, todos os dias. Eu quis que a gente melhorasse junto.
Eu tentei te fazer perceber o que eu queria. Eu te disse. E quase nunca você percebeu. E às vezes você fez quando eu pedi. Eu tentei respeitar teu jeito sem me desrespeitar porque eu sei que tendo a ser ansiosa.
Ai meu tuga, que saudade...
E de ti eu morri de ciúmes e não tive vontade de esconder. E tantas vezes devo ter alimentado o teu ego...
E eu quis te encher com meu carinho, com meus beijos incessantes (uma beijoqueira compulsiva) com os meus abraços, com meu grude. Você assim pouco habituado a esses excessos. E mesmo quando dormia intacto, quase paralisado ou virava de costas, tinha meus beijos, meus abraços, meu grude.
Mesmo quando teu sono profundo e teu corpo imóvel não te permitiam corresponder e me irritavam. Mesmo assim tinham meu carinho porque eu não queria deixar de te dar isso, eu não queria ficar com raiva de você. No fim eu aceitava a tua “pouca retribuição”.
A tua mão sobre a minha durante o sono... Aquele era o sinal que eu esperava para voltar a te abraçar e adormecer colada a você.


E eu me conformava com esse pouco? Não eu nunca me conformo com o pouco. Eu sempre reclamava por mais. Mas dessa parte eu não gostava. Eu não gostava de reclamar tua atenção. E eu te culpava por isso.
A Maiara dizia que você não fazia por mal, que você provavelmente nem se dava conta das tantas coisas que eu queria. Eu dava alguma razão a ela, mas nunca quis acreditar nisso de verdade. 


Você me enchia de alegria com esse bom humor, com esse sorriso quase constante, com a tua música. E me causava admiração.
E como eu te acho bonito e como eu te desejava. E meus olhos denunciavam isso e minha vontade de te beijar também. Que corpo, que sorriso. Ah e a barba... a barba é um clássico, haha.
Eu ainda sinto muito a tua falta, diariamente. E ainda lembro de tudo com muita precisão e faço um trabalho diário de convencimento sobre a nossa condição.
Entender que eu tenho que aceitar a distância não nos possibilitar esperar nada além do que tivemos me causa tristeza. Entender que o sentimento tem que se transformar, tem que ficar ameno pra que eu ainda possa falar com você sem angustia e sem  vontade de chorar, porque claro e não podia ser diferente, como uma sentimental declarada que eu sou, eu choro.
E te conto, te conto com detalhes como eu sempre fiz, sobre tudo que sinto e senti para que você não tenha dúvidas.
Sabe meu Xuxu, mesmo sabendo que nós tínhamos esse tempinho contado eu não me negaria ter vivido tudo isso com você. Mesmo sabendo que eu sentiria tanta saudade, porque essa sim era a certeza que eu tinha.  As pessoas comentam: “voltar apaixonada é tão ruim né?” É, é horrível não poder viver isso, mas mais triste seria não ter me permitido isso.  E eu fico muito feliz porque quisemos isso.
Porque você vai ser essa lembrança, essa saudade, essa vontade reprimida do que não foi. E eu fiquei aqui querendo mais e agora busco argumentos pra me convencer de que é assim, é o que é e eu tenho que aceitar.
Foi esse meu crescimento. Eu sempre tive dificuldade em aceitar o que não é da minha vontade. Pois é, você também foi crescimento pra mim. Você foi escolha. O que não foi da minha escolha foi você ser o que há de mais presente agora: saudade... minha saudade...

Sempre lembro de você quando ouço essa música:

"Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho"
 E para não esquecer :

"Coisa mais bonita é você,
Assim,
Justinho você
Eu juro,eu não sei porque você"
( Coisa mais linda, Caetano Veloso)