O cara que daria um post

Bem no post anterior eu vomitei uma situação que já vinha me incomodado a algum tempo e foi muito bom poder gritar isso. Fiquei feliz com o resultado do texto porque percebi que era algo engasgado em outras pessoas.  O post teve repercussão e a idéia era essa mesmo.
Bom, comentando com amigos sobre o tema do post eu fui me lembrando de outros acontecimento ou “citações” que talvez não devessem ganhar tanto destaque mas que gostaria de contar.
O personagem central que permeará meu texto é justamente “o cara”, “ o cara que daria um post”. Quem é “o cara” e porque ele daria um post?
Na verdade eu nem sei quem realmente é “o cara”, pois eu dividi o mesmo espaço com ele em apenas uma ocasião. Mas ele já nos é familiar. É o mesmo que proferiu aquela celebre frase do post anterior: “A verdade é que sinto muita pena dessas mulheres (brasileiras), elas não tem culpa de serem assim (putas)”.
Em realidade isso nos levaria a crer que ele não merece um post. Então porque eu resolvi utilizar meu tempo falando do sujeito e me desgastando com um assunto que visivelmente me incomoda?
Seria porque eu gosto de dar muro em ponta de faca? Porque eu gosto de insistir até não haver mais possibilidade alguma? Ou porque eu gosto de tecer críticas e causar polêmica tocando em temas delicados, principalmente estando numa condição pouco amigável.
É talvez eu goste e cutucar a onça com vara curta, mas não é só isso que me motiva “dar” um post ao “cara”. O “cara” em si é só o ponto de partida para contar situações semelhantes entre si.
Então passemos aos acontecimentos. Como havia dito no post anterior, estava eu, numa mesa entre portugas e bazucas a espera de nossa refeição. Todos ainda meio desconfortáveis, seja por não se conhecerem, seja pela tensão e desconfiança que permeia os primeiros encontros entre as duas nacionalidades.
A questão é que algum momento as pessoas seriam “obrigadas” a iniciarem  uma conversa e isso não tardou. Brasileiros falando do Brasil e portugueses de Portugal. Num dado momento um português pergunta aos brasileiros: “Vocês ainda têm magoa de nós por causa da exploração?” e eu respondo: “Não. Se tivesse algum ressentimento não estaria aqui.”
E então “o cara” que perdeu a oportunidade de ficar calado solta: “E porque teriam? Eles nos devem tudo

1,2, 3, respira...
E eu já sabendo que depois dessa só iria me irrita prossigo: “Tudo o que?”
“O cara”: “Fomos nós que descobrimos o país. Antes de nós chegarmos até lá vocês não tinham nada”
Daí sempre têm aquela pessoa que quer ser simpática e pra evitar problemas com os “donos da casa” põe panos quentes: “É sabemos que vocês contribuíram muito para nossa cultura...”
E eu ouvindo, respirando e pensando: “ tem sempre um brasileiro babaca que acha que tem que abrir as pernas para os gringos”
“O cara” faltou na aula de história? Ele não sabe que ninguém “descobriu” coisa nenhuma e que quando os portugueses chegaram lá já havia um povo com uma cultura.
E lá vou eu argumentar isso, para ouvir: “Tá, mas que cultura?
Como assim que cultura?
E lá vem aquele pensamento de que nós éramos primitivos e que graças a homem branco europeu nós conhecemos a civilização...
Puts, nós não devemos nada a ninguém. Fomos explorados durante 500 anos. O ouro que cobre as igrejas daqui veio de onde?  E quem está ajudando o país agora que ele está em  crise?
Daí as pessoas me perguntam: ”E aí, ta gostando das aulas?”
­_Então, eu esperava mais.
_Ah porque?
Pois já dou um exemplo.
Durante a aula a professora mencionou que gostaria de conhecer é Dubai, mas numa outra situação.
No país a entrada de mulheres desacompanhadas por homens é proibida. Sozinhas, elas não passam do saguão do aeroporto.  E era na condição de mulher independente que ela gostaria de entrar no país.
Há dois anos atrás ela já havia tentado entrar com grupo de 4 mulheres, mas não teve sucesso.
Ela continuou contando que as mulheres, turistas ou não, também só vão as ruas acompanhadas e que mesmo do caminho do aeroporto até o hotel precisam da companhia de um homem.
Daí as alunas reagiram surpresas: “Sério? Que absurdo! Não acredito! Isso é injusto. Porque nós temos que respeita-los e eles não nos respeitam?”
E então quem ficou surpresa fui eu.
Primeiro, ninguém lê, assiste jornal ou estuda? Hello, cultura mulçumana! Alguém já ouviu falar? É, nela mulheres sofrem restrições. Ninguém nunca contou isso a vocês?
Depois, como é a história do “nós respeitamos a cultura deles e eles não nos respeitam”?
O que é respeitar a cultura mulçumana? Aceitar que as meninas assistam às aulas de véu?
Aí a professora continuou: “Mas eu vou tentar de novo. A idéia é forçar a cultura mesmo...”
Força a cultura para quê?
É esse o respeito?
1, 2, 3 respira...
Eu: “Professora, mas isso acontece em qualquer lugar. Cada país tem suas normas (óbvio). No Brasil você pode andar com biquínis minúsculos, até fio dental, mas não pode fazer topless, por exemplo”.
Professora: “Então, essa é uma contradição do Brasil...
E uma coleguinha atrás de mim prossegue: pois é, não entendo, elas andam praticamente... (pausa. Ela se cala ao lembrar que quem havia dado o exemplo era uma brasileira que anda quase...)
Daí a professora arremata a conversa com a melhor frase: “É meninas, vocês têm muita sorte de serem ocidentais...”
E quase todas concordam sorridentes. (eu, como devem imaginar, respirava)
Que merda de pensamento eurocêntrico é esse?
Eu saí do meu país para estudar, acreditando que chegando aqui lidaria com um pensamento mais aberto, pelo menos na Universidade, uma vez que grandes teóricos e muitas idéias estudadas mundo a fora saem da Europa.Eu que estou do outro lado mundo tenho mais conhecimento dessa idéias.
E o que me deixa mais boba é que tanto a professora como “o cara” já viajaram por vários países. Portanto o que se espera é que no mínimo respeitem a cultura do próximo, ainda que não concordem. Mas diferente disso eles voltaram para os seus lugares ainda mais certos que são melhores.
A idéia do blog não é ficar descendo a lenha no comportamento dos portugueses, até porque não são todos que agem assim. E quero deixar bem claro que há muitas coisas que compensam a estada aqui. Coisas que mencionarei em outros posts. Mas essas são situações que para mim não podem ser ignoradas porque vão de encontro com tudo aquilo que aprendi. Só não considero que corro o risco de retrocesso justamente porque reajo a isso.
O europeu pelo visto nunca abandonou a idéia de superioridade, eu só não imaginava que era tão espontânea. Será o medo deles de enxergar o outro? Ou serei eu muito “latinocêntrica”?

“Sem dar não se recebe, assim a gente sofre
Sofrer por sofrer, melhor se dar
O medo de olhar o próximo é o medo de poder se enxergar...
Como descobrir o mundo se nunca se deu ao luxo de estar lá
Derrubar barreiras, descobrir maneiras...”
(Sintonia, Sintonia, Aguarraz)

A bela é carioca, mas é da cor do Brasil

“Bela, bela, bela...
Ela anda na rua como quem passa na passarela...
O mundo é dela...”

Ultimamente não consigo tirar essa música da cabeça. Para quem não sabe, trata-se da canção de abertura de uma das mais recentes séries da TV Globo. E a explicação é simples. Eu tenho refletido muito sobre a letra, mas principalmente sobre o impacto que a série provoca no imaginário popular. Não só dos brasileiros, mas principalmente dos estrangeiros.
Tudo bem que a series brasileiras não são muito difundidas no exterior, mas a fórmula é a mesma das novelas e filmes tupiniquins.
É surpreendente como a minha impressão sobre mim mesma se transformou desde que saí do Brasil. Diante dos vários papeis que representamos diariamente, essa foi primeira vez que adquiri a consciência da imagem da mulher brasileira mundo a fora. A sensação é dúbia, confrontante, confusa.
A princípio, algo próximo ao constrangedor, ao intimidador. Não, não foi vergonha, mas medo da força, do poder dessa imagem. Eu vim do Brasil “avisada” da imagem negativa que as mulheres brasileiras tinham  na Europa, mas confesso que não esperava sentir o peso disso.
Pela primeira vez na vida, senti o preconceito.O que no Brasil, parecia-me impensável acontecer .Eu branca, magra, classe media, universitária, pais casados, um único irmão,dois cães. O estereótipo da “boa moça”. Pela primeira vez senti o peso de ser mulher. Não só mulher, mas mulher brasileira.
Nos meus primeiros dias aqui, me senti muito desconfortável. Tinha a sensação de que ao abrir a boca e ser notado o meu sotaque, automaticamente apareceria “puta” na minha testa, uma vez que essa é a realidade de muitas brasileiras na Europa.
Por outro lado, um ego que se eleva diante de tantos olhares. Sim, pois “se conhece uma mulher brasileira a distância”, como já me declararam portugueses e espanhóis. E eu creio nessa verdade.
A diferença não está só nas formas e nos traços assimetricamente perfeitos. Está no jeito de andar, de olhar, sorrir. Na forma de se vestir e até mesmo no jeito de como usar o cabelo...


Pára e repara
Olha como ela samba
Olha como ela brilha
Olha que maravilha
(Lourinha Bombril, Os Paralamas do Sucesso)


Sim, porque só os traços e formas não alcançariam as diferentes mulheres brasileiras. Uma vez que qualquer biotipo pode representar o da mulher brasileira. Somos muitas, somos muito!


“Essa crioula tem o olho azul
Essa lourinha tem cabelo bombril
Aquela índia tem sotaque do Sul
Essa mulata é da cor do Brasil

A cozinheira tá falando alemão
A princesinha tá falando no pé
A italiana cozinhando o feijão
A americana se encantou com Pelé”
(Lourinha Bombril, Os Paralamas do Sucesso)

Mas infelizmente já se tem consolidado um estereótipo: mulher de pele bronzeada, olhos rasgados, cabelos longos e escuros...
Já ouvi algumas vezes que não tenho o perfil de brasileira.
Ah não?!
E esse beiço caracteriza o que?!
Ainda que eu não tivesse essa boca gigante. E o que são as gaúchas? E as nipônicas e hispânicas? E tantas quanto forem possíveis... Sim, um pedacinho de cada lugar reside no Brasil, nos “Brasis”.
Essa imagem estereotipada é reforçada pelos filmes e perigosamente pelas novelas, porque essas sim são a paixão nacional e forte produto de exportação.
Os portugueses gostam tanto de novelas brasileiras que já incorporaram muitas expressões ao seu vocabulário. E como sempre o que “não presta se aprende mais rápido”...
Ex: gatinha, gostosa, boa, bunda...
E acredite, eles usam largamente o vocábulo. Com as brasileiras, é claro. Porque as portuguesas são intocadas, imaculadas. Esse é outro fator que provoca nos homens portugueses esse desespero pelas brasileiras. As portuguesas segundo eles próprios são muito “fechadas”. Subentende-se que nós somos muito “abertas”?
As mulheres podem até negar gostarem de cantada, mas a maioria gosta. Só que nesse caso é realmente desagradável, pelo menos pra mim que sei o peso dessas palavras ditas pelos portugueses. Não é só um elogio a nossas formas, soa mesmo como grosseria.
Bem de qualquer forma é isso que as nossas produções áudio visuais reforçam. A aBUNDAncia de BOAS. A gostosa que chama atenção por onde passa e que não vive para outra coisa senão DAR prazer. Sim, somos as safadas, boas de cama.
Outro dia numa mesa entre brasileiros e portugueses tive o desprazer de ouvir : “A verdade é que sinto muita pena dessas mulheres ( brasileiras), elas não tem culpa de serem assim (putas)”
PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!!
O cara achou mesmo que estava sendo legal com essa frase?!
Eu me senti tão mais confortável e agradecida por essa piedade. ¬¬
Mas a idéia é essa. É como se ser puta estivesse no sangue da brasileira.
E pensar que enquanto aqui somos uma bunda, no Brasil somos o orgulho da família. As filhas que foram estudar na Europa. Será mesmo que os portugas pensam que nós atravessamos o Oceano para conseguir residência permanente? Que nós viemos de tão longe porque o maior objetivo de nossas vidas era sermos putas em Portugal?
Ah tenha santa paciência!!!
Vejam bem, não quero generalizar. Claro que nem todos pensam assim. Mas quero utilizar esse espaço para desabafar, falar de algo que para mim tocou muito forte. Sinto esse clima pesado por onde vou. É como se minha aura de puta pairasse. Sinto isso constantemente.
Não sei se para as outras meninas que convivem comigo é assim. Mas eu senti a necessidade de falar desse preconceito com todas as letras, expor, me expor.  É algo que me incomoda desde que cheguei . É claro que com o tempo a gente aprende a lidar e até fica indiferente.   Tanto é que em momento algum pensei em largar o intercambio por isso.
Por que eu acredito na Maria, Maria que é um dom, uma certa magia... Essa é a minha brasileira. Sei que não é a única, mas é a que eu escolho representar.
E por que iniciei o texto falando da série “As cariocas” ? Por que como a própria música diz : “Ela é carioca, mas é da cor do Brasil”.
A série resume bem o estereótipo da mulher brasileira. Em primeiro lugar por que o Brasil é o Rio de Janeiro. Esse é nosso cartão postal. Em segundo por que a serie mostra a malandragem do carioca, traduzida pela safadeza das belas. Muito sol, shorts curtos, biquíni, praia, bunda. É a carioca representando a mulher brasileira.
Não me agrada ser vista somente por esses atributos. Mas também não me incomoda ser admirada por eles. O que me deixa puta, com permissão do trocadilho, é que as pessoas achem que temos que nos envergonhar por sermos quem somos.
Será que agora teremos que nos sentir culpadas por nossa beleza, alegria. Por rirmos da vida, por rirmos com ela. Por não esquecermos que além de filhas, mães, esposas, irmãs, somos mulheres. Mulheres que querem desfrutar com prazeres da vida, um direito que lhes deve ser dado. Mulheres que acordam cedo. Mulheres que sustentam filhos sozinhas. Mulheres que estudam para melhorar de vida. São as mesmas mulheres que ainda assim não se esquecem da vaidade.
A liberdade e o respeito da mulher não consiste em ser independente financeiramente, ser realizada profissionalmente. Não casar e nem ter filhos antes de outras conquistas. Essa liberdade consiste em escolher que papel quer representar.
Eu represento Gabriela Lago, filha de Vilmar Lago e Elza Ferreira, irmã de Grégory Lago, estudante de jornalismo, solteira, MULHER-BRASILEIRA-BONITA-NÃO-PUTA!


Um pouco do humor português que esbarra na questão "mulher estrangeira":


Um muito de Elis Regina, uma das maiores interpretes da mpb. Uma também mulher brasileira canta sobre o nosso "ser". 
Maria, Maria, por Elis

Pingo Doce e Erasmus, uma relação de “S2”

Pingo Doce é uma rede de supermercados muito conhecida em Portugal. Ele está para nação portuguesa, assim como o Extra está para a brasileira.
Cá em Braga, ele é o queridinho dos Erasmus. Por quê? Ele oferece uma linha extensa de produtos que vai de água mineral a papel higiênico. E o melhor e claro, fundamental, é mais barato. Mas não se engane com esse último argumento.
Apesar de alguns produtos custarem até cêntimos, as mercadorias são de qualidade, pelo menos grande parte.
Existem alguns produtos que figuram na lista dos “mais mais”. Dentre eles encontram-se a popular lasanha a bolonhesa e os famosos Recheados da alegria. E quanta alegria! Rsrs. O nome é bem propício , eu diria. Trata-se de biscoito de aproximadamente 7 cm de diâmetro. Apresenta um adocicado recheio e chocolate e o pacote contém 20 exemplares. Tudo isso pelo valor irrisório de 0,99 centimos (isso não é uma propaganda). De fato ele  faz a alegria de muita gente.
Já a lasanha é a escolha de 9 entre 10 erasmus que recorrem aos congelados na hora de se alimentarem. Ela é bem saborosa e tem “sustança”. O problema mais apontado é que ela apresenta um único sabor, a bolonhesa. E também pudera, depois de jantar e almoçar seguidamente a lasanha não há sabor que agrade.
Eu e minha colega de quarto Maiara estamos descobrindo a linha Pingo Doce. A cada ida ao supermercado, que inclusive fica perto da residência, nós ficamos um bom tempo em frente as prateleiras analisando ou até mesmo apreciando as mercadorias. Principalmente na sessão de guloseimas. Aliás, nós sempre entramos em crise diante dela. Nunca sabemos qual será o Nov chocolate a ser experimentado, por exemplo. As barras chegam a custar 0,55 centimos. Diga se isso não é mesmo o paraíso para duas chocólatras?!
Ah e os biscoitos... Eu nunca comi tantos cookies como aqui.
E os donuts...
Oh céus! As tentações me rodeiam!
Outro produto eu é marcante na linha é o galão de água, de 5 L que custa ínfimos 0, 29 centimos. Agora imagine subir uma ladeira carregando-o. Pois é, eu e Maiara e toda St. Tecla realizamos essa empreitada. No caminho do Pingo Doce a residência há uma inconveniente subida que tem ajudado a  enrijecer panturrilhas, glúteos e tudo que houver de músculos  pelo corpo. “Havia uma subida no meio do caminho, no meio do caminho havia uma subida...” rsrs.
Você ocasionalmente pode ter pensado: “Se o galão de 5L é tão barato porque não trazer um menor e evitar o desgaste da subida?” Porque acredite ou não, o menor é mais caro. Mais essa explicação ficará para um próximo post.
Bem, como eu havia dito, eu e Maiara somos adeptas da linha. A base de nossa pirâmide alimentar é Pingo Doce, rsrs. Nós consumimos tudo que apresnta PD na embalagem : fiambre (presunto), queijo, manteiga, café, leite meio gordo (semi-desnatado), mel, sorvete, pão...
Até o presente momento eu só não recomendaria a sopa, que consegue ser mais aguada e sem sal que a do RU e a pizza, responsável por um quase incêndio no alojamento. Rsrs. Eu explico.
Na embalagem dizia: “5 a 8 min.” A metade da pizza assada em 5 min. Ficou crua e a metade assada em 8 “fumaçou” o microondas. Como eu não dispenso nada, a metade de 5 min. Foi consumida. Rsrs
Melhor foi o porteiro entrando na cozinha e perguntando se eu tinha visto alguém cozinhando porque o alarme de incêndio tinha sido ativado. Como eu já tinha jogado no lixo o prato quebrado que trincou quando eu encostei a superfície quente na bancada fria (parece que nunca foi ensinada que não pode), e não havia provas do crime, eu respondi calmamente: “Olha, acho que tinha alguém antes de mim, mas quando eu cheguei, a cozinha já estava vazia”
Daí ele resolveu olhar na varanda se havia algum indicio. Meus olhos acompanharam os seus movimentos. Ai se ele resolve olhar o lixo. Ia achar o pedaço inteiro de pizza torrada e os restos de prato. Por sorte ele não fez isso. Ufa!
Mas voltando ao tema inicial, atualmente eu e Maiara começamos a experimentar também o concorrente Continente. Ele apresenta similares aos produtos Pingo Doce. Inclusive uma versão do Recheados de alegria.
Ah um hábito que está sendo disseminado aqui é levar o seu saco (sacola) ao supermercado. Aquelas sacolas que as nossa mães costumavam (ou costumam) levar para fazer a feira.
Tanto o Pingo Doce quanto o Continente tem essas sacolas. Elas são bem bonitas e custam 0,50 centimos. No caso de esquece-las  em casa, o que acontece frequentmente comigo e a Maiara, é necessário pagar 0,2 centimos se quiser levar a compra nas sacolas plásticas.
Bem, como deu para perceber, mais que uma relação de amor, é uma relação de “quase sobrevivencia” . Exagero! Mas é uma excelente opção.

Enfim Madrid

We are the champions, my friend...”

Já que Madri é tão musical, essa é a canção que escolho para embalar minha visita a capital espanhola. 
Nada melhor que o clichê de Fred Mercury para descrever o que senti ao chegar a tão sonhada, desejada, esperada, ansiada, fantasiada Madri.
Como havia mencionado no post anterior, tenho um “sei lá o que” de um “sei lá de onde vem” pela Espanha. Uma admiração. Até mesmo um sentimento de pertencimento ao lugar.  Uma segunda pátria.
Apesar de desorientada, minha ida a cidade foi no mínimo irreverente. Eu explico. Meu desejo de ir a Madrid era tão grande que bastava estar lá. Não me importava quais lugares conheceria e por isso não fiz minha lição de casa recomendada pela minha companheira de viagem Thalita. Não pesquisei nenhum lugar turístico para visitar e me bastei com as escolhas dela, que por sinal eram condicionadas ao micro-mapa cedido pelo Hostel onde ficamos.
Conclusão: deixei de conhecer muitos pontos “interessantes” (para ser modesta, porque em Madri tudo é lindo) e outros passaram despercebidos.
Dentre os lugares que não vi, mas recebi recomendações, estão:
* O Mercado de San Miguel, o qual eu passei em frente e não entrei. Inclusive só descobri isso quando cheguei em casa e fui olhar as fotos. Uma amiga que foi, disse que é muito legal. Tem comidas bem gostosas e é melhor ainda pela noite.
*La Plaza Del Toro, onde como o próprio nome indica, acontecem as touradas. Lá também é possível encontrar o Museo del Toro. Esse eu descobri pesquisando na net os nomes dos lugares onde fui, rsrs. (para vocês verem o nível de desorientação da pessoa! ¬¬).
O estádio do Real Madrid. Nesse parágrafo eu gostaria de deixar expresso o meu pesar por não ter comparecido : ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh L. Para entrar é preciso pagar 16 euros, mas me parece uma visita bem legal. Umas amigas que foram antes de mim a Madri tiraram umas fotos bem legais do lado de fora, rsrs. Mas eu, nem isso =/ . Poxa, vai que eu desse a sorte de encontrar o Cris de bobeira pro lá... Aff!
Na categoria “fui mas não liguei” estão:
*La Plaza de Cibeles, com a fonte de Cibeles, “o monumento mais representativo do glamour de Madrid”, de acordo com : http://www.cwb.matrix.com.br/sensus/madrid.htm. Inclusive eu estava de frente para fonte, mas no dia a fome era tanta que fiquei insistindo com a Thalita para irmos comer, sem deixar que ela descobrisse do que se tratava o monumento. Aff! [2]
*El Museo Del Prado. O Museo é lindo e tem clássicos da pintura. No dia em que Thailta e eu o visitamos, chegamos quase no horário de fechamento do museu e não conseguimos ver tudo. Eu também não tirei foto ao lado do monumento de Goya e a que tirei ao lado do monumento de Velásquez ficou escura. L
Quase não tiro foto no monumento a Cervantes também. Ele fica na Plaza de España. A tapada aqui estava muito distraída para perceber que o monumento com cavalos (há vários monumentos com cavalos em Madri), era Dom Quixote e Sancho Pança. Detalhe: havia uma fila de pessoas para tirar foto nele. Eu só tirei porque a Thalita comentou : “Ah  esse deve ser o monumento de Cervantes!”. Daí eu me preocupei em olhar direito para ele. Aff![3]
No Reina Shofia, museu de arte contemporânea, eu já estava muito cansada e para completar tive um acesso incontrolável de tosse, daqueles: “onde eu me escondo?”. Tipo, todo mundo em silêncio, com aquela cara de “cult”  e a louca se desfazendo em tosse. Daí eu sentei num banco ao lado do banheiro e fiquei esperando a Thalita terminar a visita. Infelizmente não vimos  a aclamada tela Guernica, também por falta de tempo (Pqp!).
A parte boa nos museus foi que conseguimos entrar sem pagar. Demos a sorte de estar em Madri nos dias em os museus tinham entrada franca. Geralmente isso acontece no domingo.
Passei rapidamente em frente a Catedral de Nuestra Senõra de la Almodena. É bem bonita, mas tinha que pagar para entrar e nós tínhamos que escolher entre os locais pelos quais pagaríamos para conhecer. Aproveitei para tirar uma foto quando estava no Palácio Real, que fica em frente.
Falando em Palácio Real, isso nos leva a categoria “fui e ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”, rsrs.
O Palácio fica na Plaza de Oriente, que por sinal é linda. Para adentrá-lo tivemos que pagar 3,50 euros, isso porque comprovamos que éramos estudantes. Para os demais, a entrada custava 8,00 euros. Mas com certeza valeu muito a pena pagar. É impressionantemente luxuoso. Parece cenário de filme. Não dá para acreditar que alguém viveu de verdade naquela condição de riqueza. Cada cômodo apresenta uma decoração. Lustres gigantes de cristal, ouro nas paredes, o teto todo pintado. O cômodo que eu mais gostei foi o Salão de Gasparini .
(El Salón Gasparini del Palacio Real de Madrid, esta diseñado con diferentes estilos.Gasparini diseñó el salón y su mobiliario con un estilo rococó en el que predominan los motivos decorativos orientales o chinescos. Los estucos del techo, los mosaicos del suelo, los bordados de las tapicerías de las paredes, la talla de las maderas, el modelado de los bronces y hasta el más mínimo detalle, constituyen un salón puramente rococó «cargado» de motivos decorativos orientales o chinescos. El suelo del salón es un mosaico de mármoles de colores de estilo rococó.)


Como eu sei o nome? Não, eu não sou tão culta quanto pareço, rsrs. É que eu e Thalita ficamos ouvindo a explicação de uma guia que por sorte falava em espanhol (os guias em geral optam pelo inglês). Nós fazíamos “cara de paisagem” enquanto ela falava. Rondávamos discretamente o grupo e fingíamos estar apenas admirando os cômodos, rsrs.
No Palácio há, segundo a guia e se não me falha a memória, 2500 relógios, mas “apenas” 500 funcionam. Eles mais parecem artigos decorativos. E são! Outra coisa que me chamou muito atenção foram os lustres. Enquanto caminhávamos em direção a um dos cômodos eu exclamei: “Thalita, olha aqueles dois lustres!”. De acordo com que nos aproximávamos, falávamos em coro: “Dois! Quatro! Seis! Oito!”, rsrs. Num só cômodo, oito gigantescos lustres.
Os cômodos foram decorados por artistas como Goya, Velázquez, El Greco, Rubens, Tiepolo, Mengs e Caravaggio.
O Salão do trono e sala de jantar também são inacreditáveis. É possível ver ainda a coleção da Armaria Real (muitooooooooooo legal!), a farmácia real, a biblioteca e a capela (as duas últimas eu não vi L)




Outro lugar que eu recomendo vivamente é o Parque do Retiro. Lá é possível ver os Palácios de Velásquez e de Cristal. Mas o que mais me chamou a atenção foram os jardins que parecem saídos das ilustrações dos livros de contos de fadas. Há ainda o monumento a Afonso XII . Acredito que a foto seja auto explicativa.


Além desses locais conheci  “La Plaza Puerta de Sol” (onde tirei foto com italiano lindo que estava lá de bobeira me dando mole, kkk), o Templo de Debod (meio sem graça), a famosa Plaza Mayor, super charmosa, com seus “bares” e cafés, onde as pessoas sentam para almoçar enquanto tomam sol. Aliás isso foi uma coisa bem interessante que vi em Madri. As pessoas adoram sentar ao sol. Mesmo nos restaurante cobertos, elas ficam próximas aos vidros que permitem a passagem da luz “caliente”. E por fim a Plaza Del Sol, que tem o fofíssimo urso e a árvore madroño, símbolos heráldicos de Madri e presentes nos mais diferentes souvenirs da capital.
O hostel
O hostel é capitulo a parte.  Chama-se Las musas e fica bem localizado, próximo ao metrô. É de um argentino e acho que isso explica a grande quantidade de compatriotas dele no local. Inclusive um dos hermanos se encantou pela Thalita. Ele já morou em algumas cidades do Brasil e falava um espanhol-paulistano. Sabe todas as gírias de Sampa, tais como “os noia”, “dormir já era mano”... ele é artista de rua e vive desse trabalho. Já viajou por vários países. Uma figura muito inteligente e interessante.
Falando em figura, conhecemos uma figurassa. A Silvia. Uma mineira muito espontânea.  Que mais parece ter vindo no mundo a passeio. que ri com a vida. Sem tempo ruim. Adora tirar foto e não tem vergonha de se mostrar. Nos divertiu muito.
Além deles, conhecemos uns franceses muitos simpáticos, com os quais saímos para dançar na nossa última noite em Madri. Deu para perceber que dançar não era bem o forte deles, mas até que se empenharam, rsrs.
A magia
O que fica de Madri? Como deu para perceber muita coisa. As memórias ainda muito frescas e que creio eu, permanecerão durante muito tempo vivas.
Ah essa Madri de gente bonita, cheirosa, sofisticada....
 De espanhóis charmosos e espanholas escandalosas que riem alto pela rua como uma sensualidade que lhes é natural...
 Essa Madri luxuosa que inspira e transpira cultura...
 Essa Madri de artistas, os mais diversos. Onde é possível caminhar pelas ruas ao som de músicos talentosíssimos que expõem seu trabalho  a troco de moedas. O que explica porque no começo do post chamei a capital de musical.
Sim, Madri pode ser visitada e vivida com muitas trilhas sonoras, basta estar nas calles. Eu já escolhi “mi cancion” e ainda volto a capital espanhola para cantá-la :
“We are the champions, my friend!!“
o/

A Comovente Santiago


Eu sempre fiz questão de deixar claro as pessoas que me conheciam o meu encantamento pela cultura hispânica. Sabe lá Deus de onde veio isso, uma vez que eu nunca tinha ido  Espanha e nem mesmo tenho alguma descendência, que eu saiba.  Apesar dessa ausência de referencial próximo, eu alimentava a idéia de conhecer o país e quem sabe até mesmo morar lá. Esse fim de semana  pude realizar parte dessa fantasia.

A universidade do Minho, a qual estudo atualmente, organizou um passeio para os Erasmus, á Santiago de Compostela, com paragens em Valença (Portugal), Pontevedra e Vigo (Espanha).

Santiago é a capital da Galiza, a terceira rota mais importante para o mundo cristão. As outras  duas são Roma e Jerusalém. Pessoas do mundo inteiro peregrinam até lá. A cidade é mundialmente conhecida pela sua imponente catedral. O que para mim é totalmente compreensível.

Até minha chegada em Santiago  nenhuma outra construção havia me chamado tanta atenção como a Catedral, e olha que eu passei por várias. Portugal é repleto delas, na verdade, a Europa como um todo. Ao chegar na praza de Praterias, o impacto. Um monumento que se impõe sobre nós. Não apenas no tamanho, mas na beleza.


Eu e o grupo com quem estava, resolvemos conhecer o interior, e sem nenhuma surpresa percebemos que estava sendo realizada uma missa. Como de costume, as fotos só poderiam ser tiradas ao final dela. Resolvemos esperar e portanto acompanhar a cerimônia. Este foi o momento mais emocionante desde que cheguei a Europa. A missa realizada em galego. Pessoas espalhadas por todos os cantos da catedral, onde havia espaço. Sentadas no chão, encostadas nas paredes. Peregrinos com cajados e uma expressão de cansaço e devoção. 

De todas as vezes que entrei em igrejas e agradeci, aquela foi a mais sincera. Fui tomada por uma vontade incontrolável de chorar, e então chorei. Chorei de gratidão, por estar ali, num lugar, indescritivelmente belo. Sim, assumo a pieguice, ela faz necessária.Há em Santiago, um clima favorável a tais sentimentos.

Nas ruas, a qualquer hora é possível reconhecer os peregrinos que chegam.A cidade e suas construções monumentais, heranças do idade medieval. A história vista de perto, convivendo com o mundo contemporâneo. Pessoas que transitam com naturalidade por cenários que parecem existir apenas em filmes, nos dizem que aquilo é real, por mais inacreditável que possa parecer.

Ainda mais encantada, assim fiquei...

Minha idealização de Espanha foi correspondida. Além da beleza de Santiago e das outras cidades pelas quais passei, Pontevedra e Vigo, a beleza, simpatia e educação das pessoas. Os espanhóis parecem-me mais próximos dos brasileiros.Sempre muito solícitos. Senti a diferença no tratamento logo que adentrei terras espanholas.

As crianças encantaram o grupo. Muitas brincavam, livres nas praças, com toda inocência que a infância lhes permite. Crianças que vestiam –se e portavam-se como  crianças, com a graça  e a sofisticação espanhola.
Outros “menudos” também foram alvos de flashs. Os cães. Por toda a cidade era possível ver pessoas passeando com cachorros. Inclusive quando chegamos a praça havia um stand onde era possível realizar adoções. O local estava cheio de gente. Pelo interesse das pessoas, imagino que muitos foram adotados. Eu que sou fanática por cães, adorei.

Outra coisa a qual eu e o grupo nos esbaldamos foram os doces. Ao longo de nosso passeios pela cidade era possível parar e provar “las gulosinas”. Em algumas lojas, as vendedoras ficam a porta com uma bandeja convidando as pessoas a provarem mostras. Em seguida elas te convidam a a entrar e experimentar  outros artigos.  Em uma delas provamos uns 6 doces diferentes, além de queijo e licor. Eu não podia ver uma bandeja que parava, as vezes me bastava ver a placa “desgustacion”, e lá ia eu  conferir outra vez. Em uma das lojas entrei umas 3x, até que a vendedora nos perguntou se íamos comprar ou só degustar, afinal ela precisava vender, rsrs.

Também nos chamou a atenção, a quantidade de pichações de cunho separatista. Em muitas placas e paredes, encontramos mensagens que faziam referencia a independência da Galiza ou defendiam a identidade local.  Falando em Galiza, outra coisa que achei muito fixe (legal, cá em Portugal) foi a escrita em galego, uma das quatro línguas oficiais da Espanha (as outras são catelhano, euskera e catalão) . É muito próximo ao português, na verdade é uma mistura bem nítida entre português e espanhol.

Bem, saí da Espanha ainda mais encantada do que quando entrei. Com uma vontade imensa de voltar, quiza morar lá um dia. Quinta-feira embarco para a Madri dos meus sonhos e em breve espero pousar em Barcelona também.

O "Ser" Erasmus

Eis, uma definição um tanto quanto indefinida. Sim, a antítese é apropriada, pois há uma grande confusão quanto  ao significado da palavra. Cá em Braga, entende-se por Erasmus, todos aqueles que são estudantes bolsistas ou intercambistas, independente de terem ou não a bolsa, como é o meu caso, que só conto com o "paitrocinio". Ou como se convencionou dizer de brincadeira entre os colegas de pindaíba, bolsa pra gente, só se for a "bolsa família", rsrs. Mas enfim, o significado denotativo é um "pouco" mais feliz. O bolsista Erasmus conta com uma ajudinha de custo mensal de míseros 1000 euros , ou seja, ele desconhece a palavra pindaíba, rs. Alguns inclusive mandam uma parte para o Brasil, para ajudar a  parentada que ficou lá, os primos pobres, rs (brincadeirinha, peloamordedeus).  Mas a definição vai além dos euros. O aluno Erasmus, pertence ao Programa Erasmus Mundos, criado, promovido e financiado pela  Comissão Européia -Organismo Executivo da União Européia, desde 2004, “com objetivo de promover a educação de  ensino superior européia, ajudar a melhorar as perspectivas de carreira e  promover a interculturalidade entre países europeus e não europeus” <http://www.nesobrazil.org/students/information-in-portugese/Bolsas/erasmus-mundus-1 >.
O programa se divide em algumas categorias. Existem  diferentes tipos de Erasmus. Pra você vê que existe hierarquia até entre bolsistas, ah mundo cão! rs. Bem mas como esse tema "Erasmus" é meio obscuro ( nem os beneficiados pelo programa  sabem como funciona , de onde vem o dinheiro... O importante é que bolsa caia na conta) eu também não sei quais são exatamente essas categorias. Minha pesquisa google não foi aprofundada, mas caso alguém desvende o mistério, eu informarei.
Então porque escrever sobre algo pouco esclarecido e do qual e nem faço parte? Bem, eu posso não pertencer ao programa, mas como eu disse no começo do texto, aqui todos os bolsistas, indiscriminadamente, são tratados como Erasmus (bolsista = sinônimo para erasmus) e eu quis familiariaza-los como a denominação que possivelmente será utilizada em outros posts.

Ao papi com carinho

Bem, para estrear o blog escolhi um texto que não poderia ser mais genuino,uma espécie de e-mail-carta, escrito para meu pai, com as primeiras impressões de lugares e situações que se fizeram presentes desde que cheguei a Portugal. Um misto de saudade e muita empolgação.

"Oie pai!
Tudo bem?
Por aqui está tudo mais do que bem. Estou muito feliz, realizada. Mais um sonho que se concretiza. E que sonho heim?!
Fiz boa viagem, foi tudo tranquilo. Vim com a Maiara, a mesma menina com quem fui à Brasília. Estamos no mesmo quarto e nos damos muito bem.
Braga é linda e calma. Apesar de ser a terceira maior cidade do país. Só fica atrás de Lisboa e Porto. Já conheci alguns pontos turísticos e no fim de semana viajei para Viana do Castelo, uma cidadezinha a 1h30 de Braga, indo de comboio (uma espécie de trem).
Braga está tomada por brasileiros, me sinto em casa. Os portuguese já estão acostmados com a nossa presença. A música brasileira é tocada em todos os lugares: rádios, festas, lojas...
As nossa novelas também fazem sucesso aqui. Alias é a única coisa que salva a programação local. Eu nem assisto tv, achei os programas péssimos.
A residência onde moro é muito boa também. Dei a sorte de ficar num dos prédios reformados. Temos em nosso quarto, duas camas, dois quarda-roupas, um criado mudo e uma mesa de estudos. Em cada andar há uma cozinha, um banheiro e uma sala de estudos. Vivem pessoas de todo mundo na residência. Tenho praticado bastante meu espanhol. Aliás em Braga há muitos estrangeiros.
A faculdade também é ótima. Aqui temos até um mês para assistir as aulas e só depois escolher quais disciplinas cursar.Vou caminhando todos os dias, para economizar os euros da passagem, rs. Mas logo terei de ir de autocarro (onibus), porque vai começar o período de chuvas, o inverno. Já apredi a andar só aqui. A cidade é fácil em termos de localização.
Ah aqui o dinheiro vale cada centavo. Eles usam moedas de 1 centimo (como se fossem o nosso centavo), devolvem o troco exato e cobram o valor exato também,rs. Ontem fui a uma loja trocar um produto e a vendedora me devolveu o dinheiro e vez de fazer a troca. Achei bem legal. Mas em compensação não fazem descontos e nem vende a crédito. Fiado não existe.
Ah comprei uma sanduicheira e cafeteira com a Maiara, gostamos muito de café e ficava mais barato fazer em casa. Aqui as coisa compradas em grandes quantidades são mais baratas que as unidade. Tudo aqui é em tamanho exagerado, acho que eles importam de Itu, rs.
Bem voltando ao tema euro, ontem perdi umas moedas na máquina de lavar e na máquina de comida (aquela máquinas que aparecem nos filmes), eu ainda estou me adaptando a essas "modernidades". Mas deu um aperto no bolso, aqui cada centimo tem o seu valor, rs.
Bem pai, acho que é isso.
Sempre lhe mandarei e-mails contando os detahes da minha nova vida. São muitas novidades e estou amando cada uma delas.
Muito obrigada por permitir que eu realizasse mais esse sonho. Está sendo uma experiência inesquecível.
Te amo muito.
Saudades."