Ocho Apellidos Vascos

Divulgação

Apoiado em caricaturas regionais, o filme tem movimentado as salas de cinema na Espanha, alavancando as bilheterias nacionais. Ocho apellidos vascos parece vir em boa hora, como um sopro para o cinema e um refresco para o povo espanhol.
A sátira conta história de uma moça, nascida no País Basco, que decepcionada após ser deixada no altar, vai para Sevilha, na Andaluzia, afogar as mágoas com as amigas. Num bar, ela ouve piadas sobre o País Basco, contadas por um sevilhano. Depois de uma acalorada discussão entre os dois, a cena clássica do beijo. Ela volta para sua região, mas esquece a bolsa na casa do rapaz. Ele, apaixonado, vai em busca da amada. Até aqui, uma típica comédia romântica. Mas o que torna o filme um sucesso entre os nativos e o que me deixou tão atenta e curiosa, é origem de cada personagem. 
Ela é basca, ele andaluz. Ou seja, dois extremos da Espanha em muitos aspectos: geográfico, idiomático, climático, religioso e por aí vai... Ilustrando com o Brasil, seria como contar o romance entre um nordestino e um sulista, exacerbando os regionalismos de cada um. 
Ao olhar o mapa da Espanha é possível ver que o País Basco está bem acima, e a Andaluzia, no outro extremo. Enquanto na Andaluzia faz calor a maior parte do tempo, no País Basco, chove incessantemente. Os andaluzes tem a fama de ser um povo despreocupado com a vida. São alegres, festivos, galanteadores, receptivos. Já bascos, são conhecidos, principalmente, pela sua luta separatista. 
Só para lembrar a Espanha tem movimentos separatistas em algumas comunidades autônomas. Catalunha e País Basco são os que têm mais adeptos. Mas existem movimentos em outras regiões, em menor proporção, como na Galiza e Aragão. O País Basco ganhou notoriedade nos telejornais do mundo, em função da atuação do grupo separatista/terrorista ETA (Euskadi Ta Askatasuna ou, em português, Pátria Basca e Liberdade). A luta pela independência da região, no filme, associa ao povo uma imagem radical, sisuda, de pessoas fechadas. 
A questão idiomática é outra pauta rica da Espanha. O país possui oficialmente quatro idiomas: castelhano (o espanhol predominante), galelo (falado na Galiza), catalão (falado na Catalunha, Valencia, Ilhas Baleares) e euskera (falado no País Basco). Em toda a Espanha se compreende e se fala o castelhano. Dos quatro idiomas, eu considero o euskera o mais diferente e difícil. Ele não tem semelhança nenhuma com o castelhano. Nasceu no País Basco e só é falado lá.  Essa é outra diferença apontada no filme, já que na Andaluzia se fala castelhano, com um sotaque muito próprio, falado de maneira mais fechada. 
O título do filme é uma referência a uma antiga tradição basca. Ocho Apellidos Vascos traduzido ao pé da letra seria Oito Sobrenomes Bascos. Segundo a tradição bascaos bascos devem se casar entre si. Para comprovar a origem, é necessário que cada pretendente tenha oito sobrenomes de origem basca.  
Para conquistar o pai da amada, o andaluz concorda em se passar por bascoEntão os estereótipos reinam e garantem la risa. O andaluz orgulhoso de ser sevilhano, abre mão do gel de cabelo, muda o jeito de falar e esconde a devoção a virgem de Macarena. A basca, sempre na defensiva, não baixa a guarda. Paro por aqui a história. Se ficou interessado, assista!
Conhecer uma cultura a partir de estereótipos é uma maneira de questioná-la. Para quem sabe pouco sobre o país, o filme abre uma porta para a curiosidade. Enquanto você descobre, uma nação vem baixo, às gargalhadas. Em momento oportuno, um país que faz piada e ri de si. Salas cheias, sucesso de bilheteria.  Há quem aposte em novos tempos para o cinema espanhol.  Afinal, para qualquer crise o humor continua a ser um remédio e um negócio infalível. 



Andaluzia

Como o prometido, de volta aos escritos, após uma semana de retorno da viagem. Andaluzia era um sonho antigo, quer dizer, nem tão antigo assim. De uns quatros anos pra cá, desde que cruzei o oceano pela primeira vez e materializei a Espanha. 

Antes de começar a falar da Andaluzia, acho bacana explicar  rapidamente a divisão política da Espanha. Facilita a compreensão do que está onde, pois assim como o Brasil, a Espanha tem características muito próprias de uma região para outra. 

No Brasil temos 5 regiões: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A Espanha tem 17 comunidades autônomas:





Grosso modo, a Constituição espanhola estabelece normas a nível nacional, mas as comunidades também tem uma certa independência para tomar decisões a nível local. 

No Brasil temos 26 estados e um Distrito Federal. A Espanha tem  52 províncias. So...

Eu viajei para a comunidade autônoma de Andaluzia e conheci as províncias de Sevilha, Córdoba e Granada.





Explicado isso, segue o texto...

Durante o intercâmbio em Portugal, eu tive colega de Almeria (província andaluza) que sempre me dizia que a Andaluzia era o melhor da Espanha, em função do estilo de vida. De fato, essa é a maior propaganda da região, aliás, se trata de fama mais que consolidada. Há, por exemplo, uma tradição na região de servir as cervejas sempre acompanhadas por tapas.

Tapas

As tapas são aperitivos, geralmente compostos por um pedaço de pão com alguma coisa (peixe, chouriço, jamón) encima. Existe uma infinidade de combinações.  São um elemento muito característico da cultura espanhola, tanto que existe o verbo tapear. Mais que um verbo, um hábito. 
Existem várias histórias para a origem do nome tapas. Uma delas diz que a palavra vem do verbo "tapar". Antigamente, nos bares, costumava-se servir os copos de bebidas cobertos por um pedaço de pão, para que não caísse poeira ou entrasse mosca.



A região é mais quente e a sua história é marcada por um período de convivência pacífica entre judeus, muçulmanos e cristãos. O que talvez explique a cordialidade do povo. As marcas estão presentes por todos os lados: na música, na comida, nos chás e sobretudo nos monumentos que resistem ao tempo, com sua arquitetura de estilo mudéjar.


Estilo Mudéjar 


O estilo surgiu na Península Ibérica, e posteriormente foi levado para as colônias espanholas . A arte mistura elementos cristãos com  muçulmanos.  Para alguns historiadores ela é resultado da tolerância dos reis cristãos, que após a dominação do território, permitiram que os árabes continuassem produzindo sua arte. Mas os historiadores não são unânimes sobre essa hipótese. O estilo apresenta características diferentes de acordo com o local onde se desenvolveu. Destacam-se os estilos mudéjar toledano,  leonês, aragonês e  andaluz.



Carmen Dionísio

Mesquita- Catedral de Córdoba.




Carmen Dionísio

 Uma das construções mais expressivas da região,  exemplo de arte mudéjar. 



Sevilhanas (música)



A música é um capítulo a parte, mas não tenho conhecimento suficiente para me aprofundar. Só para despertar a curiosidade e dar a dimensão da variedade musical, vou contar uma situação que despertou meu interesse. 

Em Córdoba almocei num restaurante onde um senhor cego tocava sua guitarra espanhola enquanto a esposa recolhia moedas dos ouvintes. Perguntei ao meu namorado que estilo musical era aquele e ele me respondeu que se tratava de sevilhanas de Triana. Triana é uma bairro de Sevilha. Sevilhanas é um estilo de música popular de Sevilha. Apesar de ser parecido, não é flamenco. Se dança em pares. As sevilhanas diferem entre si por contarem a história ou trazerem características de um bairro, pelo menos foi o que disse o meu namorado. É um estilo arrebatador. Por hora é o que sei da música andaluza. 




O esteriótipo andaluz é exportado para o mundo inteiro como o próprio esteriótipo espanhol. Alguns dos símbolos mais conhecidos da Espanha provém daí: o toureiro, as sevilhanas, o flamenco, as castanholas, a devoção católica e a personalidade apaixonada do povo espanhol. 
Essa caricatura foi representada recentemente no filme Ocho Apellidos Vascos, que tem enchido as salas de cinema espanholas, há algumas semanas, arrancando gargalhadas do público e aliviando um pouco da tensão de um país em crise. Mas deixo para explanar o filme num próximo post porque a explicação é vasta.

Espanha: de novo e sempre!


Quase um ano sem aparecer por aqui e o que me traz de volta é um motivo da minha maior alegria: viagem!!!
Destino?
Espanha- again- ever!
Dessa vez vou enveredar pela origem dos esteriótipos que identificam o país mundo a fora: castanholas, sevilhanas, touradas,  tapas, sol e sangria fresca. Andaluzia, região conhecida pelo estilo de vida despreocupado, pelo clima mais quente e repleto de praias. Vale ressaltar a  forte influência árabe, que revela história e religião, onde cristãos, judeus e mulçumanos conviveram por algum tempo de forma tolerante, deixando um notável patrimônio cultural, com destaque para arquitetura.
Sevilha-Córdoba- Granada compõe a rota andaluz. Para além de ser Espanha, minha loucura confessa, essa viagem tem sabor especial, porque depois de 5 meses de namoro a distância, vou rever o meu amor, que mora em Zaragoça. Pois é, nesse quase um ano sem escrever, muita coisa aconteceu. Essa será a segunda viagem que faremos juntos. A primeira foi em outubro, para a Argentina, um pouco antes do Nacho (carinhosamente apelidado pelos colegas brasileiros de doritos) voltar para a Espanha, mas esse é assunto para outro post.  Aliás, o nome do Nacho sempre rende uma piadinha. A identidade secreta dele (agora não mais) é Ignacio Fernando. Tem nome mais galã de novela mexicana?
Viagem com sabor de férias (do estágio e faculdade), amor e amizade. Em Córdoba encontraremos uma querida amiga do casal, a nossa tuguinha Carmen, que esteve de intercâmbio, por um ano, em Palmas. Ela regressou a Portugal em julho do ano passado.
A viagem inclui ainda, todo o ritual de integração a família do novio.  É minha gente, a mala vai carregada de presentinhos made in Brazil para ver se conquisto um espaço no coração da sogra. A prática da troca (troco um filho por paçoquinhas) está presente na nossa cultura desde o primeiro contato entre índios e portugueses. Tenho que honrar as tradições.
Então, podem esperar mais atualizações após a viagem. Afinal, viagem é para viajar, não escrever e eu estarei fazendo isso lindamente =D.
Beijinho no ombro!

Um “tuga” no Toca


Momento desabafo:

Cara, graças a Deus que esse blog é pessoal, porque essa ordem que a vida impõe pra gente é muita chata e cansativa. Eu tenho um pouco de problema com disciplina, horários, prazos, metas, tempo pra isso, tempo pra aquilo.
Por isso, pelo menos aqui no blog eu não me obrigo a postar nada com regularidade ou em ordem cronológica. Então, respeitando as minhas dificuldades com prazos, eu vou falar sobre uma coisa super legal que aconteceu no mês passado.

O Xuxu veio me visitar!!!!!!!!!!!!!!!!

o/ o/ o/ o/ o/ o/ o/ o/

Depois de quase dois anos sem que a gente se visse e de duas tentativas frustradas, ele baixou em terras palmenses. Claro que eu fiquei de cara!
Ao longo desse tempo longe a gente manteve o contato via redes sócias e vez por outra com um bate-papo no Skype e com trocas de e-mails. A gente ficou de longe acompanhando a vida um do outro, dividindo nossas conquistas. 
Como eu disse num post anterior, não sei muito bem como a gente conseguiu criar e manter essa forma de se relacionar (e falo por mim, pela minha dificuldade em não criar expectativas), mas o fato é que funcionou.
Mesmo mantendo esse contato eu não esperava esse reencontro tão cedo. Acho que como eu já tinha esperado por isso nas duas vezes que me classifiquei para o TOP ESPANHA (aquele programa financiado pelo Banco Santander, no qual eu passei três semanas estudando em Salamanca) e não rolou, eu parei de esperar.
Deixa eu explicar direito essa parte da história. Na primeira vez que eu me classifiquei para participar do programa houve um problema na seleção e a minha vaga foi ocupada por outra pessoa, ou seja, nada de Xuxu pra mim. Na segunda vez, quando a viagem realmente aconteceu, o Xuxu recebeu uma proposta para trabalhar em Cabo Verde. No dia em que cheguei à Espanha, ele saiu de Portugal. Então nada de Xuxu pra mim mais uma vez :/.
 Depois de voltar à Braga (cidade que morei em PT) e rever muitos amigos e pessoas que eu nem imaginava, eu fiquei mais tranquila e entendi que a vida gosta de “trollar” a gente, quero dizer, que ela tem a sua própria maneira de fazer as coisas. É aquela velha história que a gente sempre ouve, mas que eu nunca aprendo “cada coisa a seu tempo”.
Pois é, só que daí, quando eu já achava que esse reencontro só iria acontecer daqui uns 5 anos, o meu tuguinha me aparece muito resoluto, querendo vir a Palmas. E não é que veio? Para minha surpresa e de geral.
Foi bom, foi estranho, foi saudoso e foi lindo. Como a minha fixa sempre demora a cair, eu fiquei sem assimilar direito tudo que estava acontecendo nos dois primeiros dias, mas depois as coisas encontraram seu lugar. Pena que ele só ficou uma semana, então quando eu estava me acostumando, ele teve que voltar. 
Mais uma vez eu tive que olhar pra cara da minha incansável amiga distância, que me acompanha desde sempre, toda vez que eu encontro pessoas legais.  E eu estou falando de modo geral: amigos, parentes, agregados, ficantes, peguetes, rolos e por aí vai... quer dizer, por aí se vão todos eles... (momento drama total!!!)
E a pergunta que não quis calar foi “o que você sentiu?”.
Bem, tirando o estranhamento inicial dos dois primeiros dias, eu senti que a gente ainda se dava bem e que era bom estar com alguém com quem você viveu coisas tão legais. Ponto!
Ponto porque a forma como a gente direcionou essa relação me preparou para me sentir dessa forma. Desde sempre a gente soube que entre nós seria assim, no máximo encontros muito esporádicos, quando a vida encontrasse a sua maneira de cruzar nossos caminhos (clichê né?).
Bem, mas foi super legal ver ele tomando caldo de mocotó e de chambarí; fazendo cara feia com açaí; curtindo um show de sertanejo; estranhando a agressividade no trânsito e o fato de quase ninguém fumar e sair torto de tanto beber numa festa open bar (comparado aos europeus) e achando que todas as mulheres vão exageradamente produzidas para qualquer festa;
Foi legal ficar bêbada com ele e brigar por causa de um copo (o copo é meramente ilustrativo porque o motivo poderia ser qualquer outro, já que a gente sempre briga quando bebe) e depois os dois apagarem e acordarem com se nada tivesse acontecido, rindo ao lembrar das bobagens que a gente falou um para o outro;
Foi muuuuuito legal dormir apertado da minha cama de solteiro, com as pernas entrelaçadas, apesar do mega calor que faz nessa terra;
Foi legal voltar pra casa sabendo que tinha alguém de quem eu gosto muito me esperando;
Foi legal ouvir de novo o sotaque português, do meu português;
Foi GENIAL ficar passando a mão naquela barba que eu adoro e poder mexer naqueles cachinhos escuros do cabelo (eu sentia muita falta dessas duas coisas em especifico);
E foi triste de novo, ter que dar tchau de novo, sem ter a mínima ideia se algo parecido com isso vai se repetir um dia.